
Bogotá - Um tribunal de Caracas proibiu todos os jornais da Venezuela de publicar, por um mês, imagens "violentas, sangrentas e grotescas para proteger crianças e adolescentes. Jornais locais e associações internacionais de imprensa classificaram a sentença de censura prévia.
A decisão foi tomada terça-feira à noite em resposta a um processo aberto a pedido do Ministério Público e da Defensoria do Povo, equivalente a Ouvidoria Pública, para investigar a publicação de uma foto do necrotério de Caracas na edição de sexta-feira do jornal El Nacional.
A fotografia, que o jornal de oposição ao governo Hugo Chávez diz ser de dezembro de 2009, mostra cadáveres em macas e no chão, sugerindo o colapso operacional do necrotério de Bello Monte, o único da cidade. Na segunda, o também oposicionista Tal Cual reproduziu a foto do necrotério.
Além da proibição geral, o El Nacional também não poderá publicar "informações de conteúdo grotesco e violento até que haja decisão final sobre a ação contra o jornal.
Por isso, o El Nacional, o mais tradicional da Venezuela, trouxe a capa com espaços para fotos com a tarja "censurado.
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) lançou nota classificando a medida de "torpe política de Estado a favor da censura prévia, "mais um elemento para tentar controlar informação às vésperas das eleições legislativas de 26 de setembro.
Já a ONG Repórteres Sem Fronteiras afirmou que a decisão peca "pela amplitude e imprecisão. Ressalvou, porém, que a publicação da foto "violenta levanta questões sobre a responsabilidade dos meios de comunicação quanto a esse tipo de conteúdo.
À reportagem, o presidente e diretor do El Nacional, Miguel Enrique Otero, disse que se trata de uma censura política e defendeu a publicação da foto.
A medida da Justiça provocou críticas até do jornal Últimas Notícias, o mais vendido do país e próximo do chavismo. "Toda a sentença é absurda e, pela primeira vez, desde 1999, o Estado venezuelano dá motivos a que digam que restringe a liberdade de informar, escreveu o diretor do jornal, Eleazar Díaz Rangel.
Em reunião ministerial transmitida pela tevê, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a publicação da foto é um ato de "desespero da oligarquia e "pornografia jornalística do El Nacional, ante a perspectiva da oposição ser derrotada nas eleições para a Assembleia Nacional.
A insegurança é a preocupação número 1 dos venezuelanos de acordo com todas as pesquisas de opinião. Caracas registrou em 2009 a marca de 140 assassinatos por cem mil habitantes.



