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Liberdade de expressão

Justiça da Venezuela censura fotos em jornais

Um dos principais diários do país está proibido de publicar, além de fotografias, “informações’’ de conteúdo grotesco e violento

Edição de dezembro de 2009 do jornal El Nacional, com denúncia sobre situação do necrotério de Bello Monte (à esquerda), e de ontem, com protesto contra a decisão da Justiça | Miguel Gutierrez/AFP
Edição de dezembro de 2009 do jornal El Nacional, com denúncia sobre situação do necrotério de Bello Monte (à esquerda), e de ontem, com protesto contra a decisão da Justiça (Foto: Miguel Gutierrez/AFP)

Bogotá - Um tribunal de Caracas proibiu todos os jornais da Venezuela de publicar, por um mês, imagens "violentas, sangrentas e grotescas’’ para proteger crianças e adolescentes. Jornais locais e associações internacionais de imprensa classificaram a sentença de censura prévia.

A decisão foi tomada terça-feira à noite em resposta a um processo aberto a pedido do Minis­­té­­rio Público e da Defensoria do Po­­vo, equivalente a Ouvidoria Pú­­blica, para investigar a publicação de uma foto do necrotério de Ca­­racas na edição de sexta-feira do jornal El Nacional.

A fotografia, que o jornal de oposição ao governo Hugo Chá­­vez diz ser de dezembro de 2009, mostra cadáveres em macas e no chão, sugerindo o colapso operacional do necrotério de Bello Monte, o único da cidade. Na se­­gunda, o também oposicionista Tal Cual reproduziu a foto do ne­­crotério.

Além da proibição geral, o El Nacional também não poderá publicar "informações’’ de conteúdo grotesco e violento até que haja decisão final sobre a ação contra o jornal.

Por isso, o El Nacional, o mais tradicional da Venezuela, trouxe a capa com espaços para fotos com a tarja "censurado’’.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) lançou nota classificando a medida de "torpe política de Estado a favor da censura prévia’’, "mais um elemento’’ para tentar controlar informação às vésperas das eleições legislativas de 26 de setembro.

Já a ONG Repórteres Sem Fron­­teiras afirmou que a decisão peca "pela amplitude e imprecisão’’. Res­­salvou, porém, que a publicação da foto "violenta’’ levanta questões sobre a responsabilidade dos meios de comunicação quanto a esse tipo de conteúdo.

À reportagem, o presidente e diretor do El Nacional, Miguel En­­rique Otero, disse que se trata de uma censura política e defendeu a publicação da foto.

A medida da Justiça provocou críticas até do jornal Últimas No­­tícias, o mais vendido do país e próximo do chavismo. "Toda a sentença é absurda e, pela primeira vez, desde 1999, o Estado venezuelano dá motivos a que digam que restringe a liberdade de informar’’, escreveu o diretor do jornal, Eleazar Díaz Rangel.

Em reunião ministerial transmitida pela tevê, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a publicação da foto é um ato de "desespero da oligarquia’’ e "pornografia’’ jornalística do El Nacional, ante a perspectiva da oposição ser derrotada nas eleições para a Assembleia Nacional.

A insegurança é a preocupação número 1 dos venezuelanos de acordo com todas as pesquisas de opinião. Caracas registrou em 2009 a marca de 140 assassinatos por cem mil habitantes.

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