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Esquerda faz petição para que Milei seja declarado persona non grata em Paris

Presidente argentino viajará à capital francesa no final do mês, para evento de atração de investimentos (Foto: Guadalupe Pardo/EFE)

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Um grupo de professores, intelectuais, políticos, artistas e outras pessoas de esquerda criou uma petição online para declarar o presidente da Argentina, Javier Milei, persona non grata em Paris.

O mandatário visitará a capital da França no próximo dia 30, quando participará da Semana da Argentina em Paris, uma iniciativa destinada a atrair investimentos de países europeus.

Na petição publicada no site change.org, um grupo de 50 esquerdistas pede que a Câmara de Paris declare o presidente argentino persona non grata e que seja recusado “qualquer recepção oficial, honraria ou evento institucional em seu nome durante sua visita”. Até o momento da publicação desta reportagem, a petição tinha 968 assinaturas.

“Após quase três anos de mandato, a política de austeridade radical de Javier Milei pesa fortemente sobre a sociedade argentina: queda no poder de compra e no consumo das famílias; demissões em massa de servidores públicos; uma profunda transformação do mercado de trabalho, marcada pela transição do emprego formal e protegido para o trabalho precário e de baixos salários — mesmo com a queda da inflação; cortes drásticos em serviços públicos que afetaram severamente o funcionamento de universidades públicas, pesquisas, educação, cultura e hospitais; e uma recessão que atinge empresas não ligadas a matérias-primas ou ao setor financeiro”, afirma o texto da petição.

Os esquerdistas autores da ação também citaram denúncias de corrupção na gestão Milei, como o escândalo da criptomoeda $LIBRA em 2025 e o caso envolvendo a irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, sobre supostas propinas pagas por empresas farmacêuticas à Agência Nacional de Deficiência (Andis), e a prisão do aliado Fernando Cerimedo, detido na Bolívia em agosto por suspeita de ter mandado matar sua ex-companheira (ela sobreviveu ao ataque).

A petição também citou o episódio da Casa Argentina: em agosto, a prefeitura da capital francesa, liderada pelo prefeito socialista Emmanuel Grégoire, pediu que o governo do presidente da França, Emmanuel Macron, faça uma investigação sobre a residência universitária e centro cultural localizado na Cidade Internacional Universitária de Paris (CIUP), vinculado à Secretaria da Educação do governo Milei.

A gestão parisiense alegou episódios de despejo de moradores da Casa Argentina por questões ideológicas, o uso do espaço para suposta “difusão de ideologias de extrema direita” e “a remoção de placas comemorativas dedicadas às 30 mil vítimas que desapareceram durante a ditadura argentina [1976-1983]”.

A Casa Argentina tem como diretor Santiago Muzio, advogado que é apoiador de Milei. O presidente argentino ainda não se manifestou sobre a petição para que seja declarado persona non grata em Paris.

Entre os autores da petição, está a advogada Sophie Thonon, que representa as famílias de cidadãos franceses desaparecidos durante a ditadura argentina.

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