
Um novo relatório do Centro para a Liberdade Religiosa Global da Universidade Batista de Dallas alerta que o governo dos Estados Unidos e outras nações ocidentais estão deixando de priorizar a liberdade religiosa em suas estratégias diplomáticas. A mudança de foco para interesses militares e econômicos, observada desde o início de 2025, tem gerado preocupação sobre o aumento da perseguição contra cristãos e outras comunidades de fé ao redor do mundo.
O que motivou o alerta sobre o recuo dos Estados Unidos na defesa religiosa?
Especialistas da Universidade Batista de Dallas identificaram que os Estados Unidos e a Europa estão trocando a promoção dos direitos humanos pela busca de interesses mais pragmáticos, como poder econômico e segurança territorial. O relatório destaca que, desde 2025, houve cortes significativos de verbas e redução de pessoal em órgãos fundamentais, como a USAID. Essa agência é responsável por levar ajuda humanitária e apoiar o desenvolvimento em países pobres. Ao diminuir esse suporte, programas que protegiam minorias religiosas contra leis restritivas e violência foram encerrados, enfraquecendo a rede global que vigia abusos contra a fé.
Quais foram as principais mudanças práticas na política externa americana?
A diplomacia americana passou por um processo de esvaziamento em setores específicos de direitos humanos. O cargo de embaixador itinerante para a liberdade religiosa internacional, que serve como uma espécie de representante oficial dos EUA para mediar conflitos religiosos, permanece vago por falta de confirmação no Senado. Além disso, o Departamento de Estado incorporou o escritório de liberdade religiosa a secretarias regionais que não possuem conhecimento técnico sobre o tema. Outro ponto crítico foi a suspensão de programas de acolhimento para refugiados que fugiam especificamente de perseguições religiosas, fechando uma porta importante de socorro.
Como o governo dos Estados Unidos responde a essas críticas?
O Departamento de Estado rebate as conclusões do relatório, afirmando que o país continua sendo um líder global na defesa da fé sob a gestão de Donald Trump e do secretário Marco Rubio. O governo alega ter feito avanços sem precedentes, como a punição de violadores desses direitos através da revogação de vistos e a designação da Nigéria como um país de preocupação especial. Para as autoridades, a política atual é mais direta e focada em resultados concretos, citando a defesa pública de cristãos no Reino Unido e o esforço para libertar prisioneiros de consciência como provas de que a liberdade religiosa continua sendo uma prioridade nacional.
Qual é a visão de especialistas sobre o futuro da diplomacia religiosa?
Ex-diplomatas, como Alberto Fernández, sugerem que a situação é complexa e cheia de nuances. Ele argumenta que a liberdade religiosa raramente foi a prioridade número um na mesa de negociações, funcionando mais como um complemento a outros temas. Mesmo com as críticas aos cortes, ele recorda que em gestões passadas agências como a USAID precisavam ser pressionadas para agir. Por outro lado, o governo atual obteve êxitos pontuais, como a defesa de cristãos ortodoxos na Turquia e a reabertura de seminários fechados há décadas. A conclusão é que a pressão da sociedade civil continua sendo vital para que o tema não seja esquecido.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





