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Oriente Médio

EUA e Irã atacam infraestruturas civis e militares e guerra volta a ameaçar escalada

Ataque americano a uma ponte em Hormozgán, sul do Irã, deixou pelo menos menos oito mortos. (Foto: Agencia iraniana IRNA / EFE)

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Os EUA e o Irã elevaram o tom da campanha militar atacando infraestruturas militares e civis nesta sexta-feira (17). Do lado americano, os bombardeios incluíram cinco pontes e um aeroporto. Teerã respondeu atacando uma usina de energia e dessalinização do Kuwait, segundo agências internacionais.

Ambos os lados têm adotado como estratégia ataques a infraestruturas que, em fases anteriores do conflito, poupadas. Washington e Teerã vêm testando os limites da escalada de tensão desde que o acordo de cessar-fogo foi abandonado na semana passada, aumentando a possibilidade de uma guerra em larga escala.

Os preços de referência do petróleo bruto Brent reagiram subindo 3% e caminharam para uma terceira alta semanal consecutiva, gerando pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, antes das eleições legislativas de novembro.

Trump não descarta ofensiva por terra

Trump ameaçou com ataques aéreos generalizados à infraestrutura do Irã e também não descarta lançar uma ofensiva terrestre na costa ou nas ilhas iranianas.

As autoridades dos EUA declararam que os ataques no sul do Irã tiveram por objetivo oferecer “opções” a Trump.

Tais ações correriam o risco de provocar uma retaliação por parte do Irã, que pode escalar o conflito atingindo a infraestrutura vital aos países do aliados Golfo, ou fazendo com que seus aliados no Iêmen perturbem ainda mais o fornecimento global de energia ao atacar navios no Mar Vermelho.

O conselheiro do líder supremo do Irã, Mohsen Rezaei, alertou nesta sexta-feira que os EUA deveriam evitar uma escalada americana ou qualquer tentativa de tomar o território iraniano.

"Se os ataques dos EUA continuarem por mais alguns dias, passaremos para uma fase de operações ofensivas em grande escala", disse Rezaei, que é ex-comandante do alto escalão da Guarda Revolucionária, à televisão estatal.

ONU fala em preocupação com "ataques à infraestrutura civil"

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a escalada do conflito, criticando especialmente os “ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região", informou seu porta-voz.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou anteriormente que seus alvos incluíam "infraestrutura logística militar", sendo a primeira vez em mais de uma semana que mencionou o termo “infraestrutura”.

"Os ataques foram projetados para continuar degradando as capacidades militares iranianas, sob a direção do Comandante-em-Chefe", dizia o comunicado no X.

Pouco tempo depois, a mídia iraniana relatou explosões ouvidas ou ataques realizados nas cidades de Sirik, Ahvaz e Yazd.

A mídia estatal iraniana já havia informado que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul.

Sete pessoas teriam morrido em ataques a pontes no porto de Bandar Khamir, no sul, onde a estação de trem também foi atingida. Um aeroporto teria sido bombardeado mais a leste e longe da costa, em Iranshahr, uma província que faz fronteira com o Paquistão.

Vídeos verificados pela agência Reuters mostraram escombros, grades quebradas e um veículo danificado em uma ponte destruída em Bandar Khamir. Um dos vídeos mostrava um incêndio.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que três moradores locais foram mortos enquanto cruzavam a ponte de Bandar Khamir, acrescentando que o Irã não deixaria o sangue deles "ser derramado em vão".

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