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“Eles queriam nos encurralar em um falso dilema de votar ou não votar”, disse Guaidó em entrevista coletiva
“Eles queriam nos encurralar em um falso dilema de votar ou não votar”, disse Guaidó em entrevista coletiva| Foto: EFE/Rayner Peña

Os Estados Unidos denunciaram nesta segunda-feira (22) que o governo do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a privar a população de participar de um processo eleitoral “justo e livre”.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, declarou em comunicado que durante as regionais deste domingo (21) “o regime alterou o processo para determinar o resultado destas eleições muito antes que as cédulas fossem lançadas”.

A esse respeito, o chefe da diplomacia dos EUA citou, entre outros fatores, prisões arbitrárias e assédio a atores políticos e à sociedade civil, criminalização das atividades dos partidos de oposição, veto aos candidatos de todo o espectro político e manipulação do registro de eleitores.

Blinken destacou a detenção de mais de 250 pessoas, o que segundo ele aconteceu por motivos políticos. “Foi negado aos venezuelanos seus direitos de expressar livremente suas opiniões e escolher seus próprios líderes”, considerou.

Na visão do secretário de Estado, essas práticas foram realizadas a fim de acabar com o pluralismo político e “assegurar que as eleições não refletissem a vontade do povo venezuelano”. Ele ainda reiterou o apelo dos EUA ao “regime de Maduro” para que cesse sua repressão e permita que a população venezuelana viva em um país “pacífico, estável e democrático”.

“Os EUA apoiam o povo da Venezuela em seu desejo de restaurar pacificamente a democracia através de eleições livres e justas, com pleno respeito às liberdades de expressão e de reunião pacífica”, afirmou.

Por fim, Blinken lembrou que o governo americano apoia as negociações internas na Venezuela e os esforços do líder da oposição Juan Guaidó, a quem os EUA chamam de “presidente interino” do país sul-americano.

“Continuaremos a trabalhar com parceiros venezuelanos e internacionais usando todas as ferramentas diplomáticas e econômicas para pressionar a libertação de todos aqueles injustamente detidos por razões políticas”, destacou.

Reconstruir “uma unidade sincera”

Juan Guaidó afirmou nesta segunda-feira que, após as eleições realizadas no país, nas quais o chavismo elegeu 20 dos 23 governadores, há uma necessidade urgente de “reconstruir” “uma unidade sincera que legitime a liderança na Venezuela”.

“É um momento, claro, que deve nos levar a uma maior unidade. A uma unidade sincera, que relegitima as lideranças na Venezuela, que reconstrói uma plataforma unida, que dá respostas aos interesses dos venezuelanos”, disse Guaidó em entrevista coletiva em Caracas.

Dados os resultados eleitorais, o opositor afirmou não é hora de “atribuir culpas”, mas de mostrar “respeito pelos cidadãos” e de refletir porque “o que aconteceu ontem não pode ser chamado de uma eleição livre e justa”.

“Hoje é um dia de respeito aos cidadãos, de atenção aos venezuelanos e também de reflexão por parte dos líderes, por parte daqueles que hoje se autodenominam líderes na Venezuela. Porque também é evidente a necessidade de reunificação e articulação de todos os fatores para poder enfrentar o regime”, acrescentou.

Guaidó reiterou que as eleições do domingo foram realizadas “sem condições pré-existentes”, com o “sequestro” das siglas dos partidos da oposição e organizadas por um poder eleitoral “sob a tutela” do regime de Nicolás Maduro.

“Eles queriam nos encurralar em um falso dilema de votar ou não votar, quando queremos escolher o futuro dos venezuelanos. Eles vão tentar nos medir ou medir a alternativa democrática na Venezuela pela cor do mapa, quando mesmo de acordo com os números produzidos pelo Conselho Nacional Eleitoral sob a tutela da ditadura, eles não têm sequer uma maioria neste sentido”, opinou.

O ex-parlamentar enfatizou que as eleições “só podem ser” uma solução para o conflito político se as condições forem garantidas e a disputa eleitoral se concentrar “no poder sequestrado por Nicolás Maduro”.

Bolívia e Cuba parabenizam Maduro

Já o presidente da Bolívia, Luis Arce, parabenizou o governo venezuelano após a vitória do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Maduro, nas eleições regionais deste domingo.

“Parabenizamos o povo venezuelano e suas instituições que, mais uma vez, optaram por superar suas diferenças políticas por meios democráticos, nas urnas, banindo todo tipo de interferência estrangeira”, escreveu Arce em sua conta no Twitter.

O PSUV venceu 205 das 322 prefeituras da Venezuela que já têm resultados confirmados com 99,2% das atas transmitidas, informou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

“É a vitória da Revolução Bolivariana Venezuela com seu presidente Nicolás Maduro diante do bloqueio criminoso dos Estados Unidos e de seus operadores políticos”, tuitou o presidente boliviano.

O ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, também parabenizaram nesta segunda-feira o governo da Venezuela pela vitória nas eleições regionais.

“Parabenizo o corajoso povo venezuelano e o Grande Polo Patriótico, liderado pelo irmão presidente Nicolás Maduro”, disse Díaz-Canel no Twitter, onde descreveu a vitória do PSUV no poder como “retumbante”. Na mesma rede social, Rodríguez disse que a vitória foi “inequívoca para a Revolução Bolivariana e Chavista”.

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