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Grupo cubano Los Aldeanos durante uma apresentação na Espanha: infiltração prejudicou a comunidade hip-hop da ilha | Oriana Eliçabe/Creative Commons
Grupo cubano Los Aldeanos durante uma apresentação na Espanha: infiltração prejudicou a comunidade hip-hop da ilha| Foto: Oriana Eliçabe/Creative Commons

Inspiração

A infiltração de artistas de hip-hop em Cuba foi executada pelo sérvio Rajko Bozic, que se inspirou em uma série de concertos de protesto do movimento estudantil que ajudou a derrubar o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic, em 2000.

Por mais de dois anos, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) infiltrou-se secretamente no movimento de hip-hop em Cuba e recrutou vários músicos para formar um grupo de jovens contra o governo de Raúl Castro, segundo documentos obtidos pela agência Associated Press (AP). A ideia era usar os músicos cubanos para romper o bloqueio informativo da ilha e criar uma rede de jovens em busca de uma mudança social. A operação, no entanto, foi executada com pouco profissionalismo e acabou fracassando, segundo a AP. A Usaid nega que tenha havido ingerência secreta em Cuba.

Pelo menos em seis ocasiões, as autoridades cubanas prenderam ou interrogaram pessoas que estiveram envolvidas no programa. Também foram confiscados equipamentos de informática como computadores e cartões de memória. Em alguns casos, os aparelhos continham informações que colocavam em risco cidadãos cubanos que não tinham conhecimento sobre a operação clandestina do órgão americano. De acordo com a AP, funcionários do governo cubanos sabiam ao menos parcialmente o que estava acontecendo.

Apesar dos riscos, pessoas contratadas pela Usaid colocaram em perigo aqueles que tinham sido recrutados. O programa também acabou prejudicando a ativa comunidade hip-hop da ilha, cujas letras populares criticavam abertamente o governo de Cuba.

Alguns dos artistas promovidos pela agência americana saíram do país ou deixaram de se apresentar por pressões do governo. Além disso, um dos festivais mais populares de música independente da ilha foi interrompido logo depois que as autoridades descobriram que o evento estava vinculado à Usaid.

O programa foi concebido em documentos que contêm a assinatura da empresa Creative Associates International, que pagou milhões de dólares a várias pessoas contratadas para minar o governo comunista de Cuba. Entre as tarefas atribuídas aos funcionários estava a criação de uma rede social chamada ZunZuneo, conhecida como o "Twitter cubano", e o envio de jovens de alguns países latino-americanos à ilha para recrutar ativistas.

A Usaid explicou em comunicado que os programas são destinados a "fortalecer a sociedade civil em lugares onde a participação cidadã é oprimida e onde as pessoas são perseguidas, presas, submetidas a lesões físicas ou pior". "Qualquer alegação de que o nosso trabalho é secreto ou oculto é simplesmente falsa", acrescenta a nota.

A infiltração de artistas de hip-hop em Cuba foi executada pelo sérvio Rajko Bozic. A missão era recrutar dezenas de músicos cubanos para projetos, disfarçados de atividades culturais, mas que tinham como propósito dar visibilidade aos artistas e estimular seus fãs a desafiarem o governo cubano.

O sérvio rapidamente concentrou os trabalhos no Los Aldeanos, um grupo de hip-hop frustrado com a pressão oficial e muito respeitado pela juventude cubana por suas letras duras e diretas.

A Creative Associates usou uma empresa de fachada no Panamá e um banco em Liechtenstein para esconder o rastro do dinheiro transferido a Cuba. Centenas de milhares de dólares foram usados para financiar um programa de tevê com os Los Aldeanos, que foi distribuído em DVD para burlar a censura da ilha.

O carismático líder da banda Aldo Rodríguez foi detido por ter um computador ilegal. Tempos depois, o grupo mudou-se para a Flórida após se queixar das dificuldades impostas pelo o governo cubano.

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