Roma Um ex-comunista moderado, Giorgio Napolitano, de 80 anos, foi eleito ontem presidente da República italiana apenas com os votos da esquerda durante uma eleição que confirmou a divisão do país em dois blocos antagônicos. Membro do Partido dos Democratas de Esquerda, formação originária do Partido Comunista Italiano (PCI), Giorgio Napolitano, que completa 81 anos no dia 29 de junho próximo, obteve 543 votos no quarto turno da eleição, ou seja, dois votos a mais do que o total dos votos dos "grandes eleitores" deputados, senadores e representantes das vinte regiões da União da Esquerda.
Não houve qualquer acordo entre a direita e a esquerda em torno de uma personalidade de consenso e a eleição do chefe de Estado ocorreu por maioria absoluta, no quarto turno, depois de três turnos de votação em que a maioria de dois terços era requerida. "A esquerda ocupa todos os cargos institucionais do Estado", afirmou Silvio Berlusconi, chefe de governo demissionário e líder da coalizão da direita. "Saúdo Napolitano e esperamos que ele cumpra sua missão com imparcialidade", acrescentou. "Mas esta maioria não corresponde ao voto dos italianos", afirmou Berlusconi.
A Casa das Liberdades, coalizão dirigida por Silvio Berlusconi, pediu para seus 460 "grandes eleitores" votarem em branco. O pedido foi atendido por 347 desses "grandes eleitores" e 70 outros votaram em personalidades de direita.
Apelidado de "o príncipe vermelho", Giorgio Napolitano havia sido escolhido pela União da Esquerda depois do veto da direita a seu primeiro candidato, Massimo DAlema, de 57 anos, presidente do Partido dos Democratas de Esquerda. Ele é o primeiro presidente da República italiana saído do Partido Comunista Italiano e também um dos mais idosos a ocupar o cargo, junto com o socialista Sandro Pertini, eleito em 1986 aos 81 anos.







