
A saúde do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak piorou ontem, segundo a imprensa estatal, horas após ele e seus dois filhos serem colocados em detenção por um período de 15 dias, em investigações sobre violência contra manifestantes, corrupção e abuso de poder. A agência estatal Mena afirmou que Mubarak, de 82 anos, está sob custódia da polícia em um hospital no Mar Vermelho, e seu estado de saúde é "instável".
Uma fonte do hospital disse que Mubarak está sob observação. Mais cedo, os dois filhos do ex-líder, Gamal, de 47 anos, e Alaa, de 49, foram transferidos para a prisão Tora, no Cairo. Nessa prisão já estão encarcerados vários ex-ministros do antigo regime. Mubarak governou o Egito entre 1981 e 2011.
A corrupção foi disseminada durante o governo de Mubarak, em um país onde 40% dos 80 milhões de habitantes vivem com menos de US$ 2 por dia. Muitos egípcios se ressentem dos empresários que foram elevados ao poder por Gamal e Alaa e depois foram acusados de enriquecer após saquear as riquezas do país.
Também ontem, horas depois, outra detenção foi anunciada a de Fathi Sorour, ex-líder do Parlamento, que exerceu o cargo de 1991 até a queda do regime, em fevereiro.
O procurador-chefe Abdel Maguid Mahmud autorizou as prisões como parte da investigação sobre o uso da força contra manifestantes durante os distúrbios em janeiro e fevereiro no país. Mubarak renunciou em 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos.
Acredita-se que as forças de segurança tenham matado centenas de manifestantes nos primeiros dias de manifestações. O governo reconheceu, pouco antes da queda do regime de Mubarak, que mais de 360 pessoas foram mortas. Ativistas, porém, afirmam que o número verdadeiro de mortos supera 800.
Mubarak foi hospitalizado em Sharm el-Sheikh na terça-feira, quando teria sofrido um ataque cardíaco enquanto era questionado por promotores. A Mena informou que a segurança foi reforçada em seu quarto no hospital e que o ex-governante deve ser levado de volta à cela logo que melhorar.
Seus filhos Gamal e Alaa chegaram no meio da manhã à prisão de Tora, no Cairo. Eles são acusados de incitar os ataques a manifestantes durante o levante popular iniciado em 25 de janeiro.



