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Meio ambiente

Financiamento gera discórdia em conferência sobre o clima

Países em desenvolvimento não concordam que empréstimos feitos por nações ricas entrem na conta dos recursos para combate ao aquecimento global

Manifestantes usam máscaras de líderes mundiais para criticar o consumismo durante a Conferência do Clima (COP-16), no México | Alfredo Estrella/AFP
Manifestantes usam máscaras de líderes mundiais para criticar o consumismo durante a Conferência do Clima (COP-16), no México (Foto: Alfredo Estrella/AFP)

Cancún - A União Europeia fez ontem uma prestação de contas durante a Conferência do Clima da ONU em Cancún (COP-16) e afirmou que neste ano, até novembro, re­­passou 2,2 bilhões de eu­­ros (R$ 4,9 bilhões) aos países em desenvolvimento dentro do chamado Fast Start Fun­­ding – re­­cursos no curto prazo na área das mu­­danças climáticas. Foram beneficiados países emergentes co­­mo Bra­­sil e China, nações africanas e da Amé­­rica Latina.

Existe um acordo desde a COP-15, em Copenhague, para os países ricos doarem US$ 30 bilhões até 2012 para os países mais po­­bres. Os europeus dizem que vão contribuir com um total de 7,2 bilhões de euros nesses três anos. Depois, até 2020, en­­tra o financiamento de longo pra­­zo, no valor de US$ 100 bi­­lhões anuais.

O problema é que, como a própria União Europeia admitiu, metade do valor colocado na me­­sa até agora pelo grupo se refere a empréstimos. O Brasil e os de­­mais países em desenvolvimento não concordam que os empréstimos sejam incluídos no financiamento – somente doações. Isso faz parte da responsabilidade histórica – os países desenvolvidos são os maiores responsáveis pelas emissões de gases do efeitoestufa e precisam auxiliar as na­­ções em desenvolvimento a cortarem suas emissões e a se adaptarem para os im­­pactos inevitáveis do aumento da temperatura.

Segundo o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, essa manobra pode prejudicar o processo de confiança entre os países que negociam em Cancún. "Isso pode afetar de alguma forma o restante do resultado", afirmou.

Um dos argumentos usado pelos europeus é que, quando o recurso emprestado é usado para melhorar o isolamento de uma casa, por exemplo, o dinheiro é obtido de volta com a economia de energia elétrica.

O que o governo brasileiro concorda é que neste ano os re­­cursos sejam menores ou que tenha de haver remanejamento de recursos – já que a proposta de financiamento foi aprovada em dezembro de 2009 e os países não tiveram tempo de incluir os valores no Orçamento de 2010.

Cientistas alertam em Cancún para impactos das mudanças climáticas.

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