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Manifestantes usam máscaras de líderes mundiais para criticar o consumismo durante a Conferência do Clima (COP-16), no México | Alfredo Estrella/AFP
Manifestantes usam máscaras de líderes mundiais para criticar o consumismo durante a Conferência do Clima (COP-16), no México| Foto: Alfredo Estrella/AFP

Ironia

Conferência de Cancún "não vai dar em nada", afirma Lula

Na cerimônia em que foram anunciados os novos índices de desmatamento do país, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não irá a Cancún, México, para participar da COP-16 (conferência do clima da ONU) porque ela "não vai dar em nada".

"A COP-16 não vai dar em nada, não vai nenhuma grande liderança, no máximo, os ministros do Meio Ambiente. Não vai haver um avanço, uma pactuação", afirmou Lula.

Lula fez elogios ao seu governo e criticou os antecessores, chamando-os de "incompetentes" por não terem se empenhado para reduzir o desmatamento.

"O que estamos conseguindo talvez nem seja mérito nosso, mas incompetência de quem veio antes de nós. Antes se fazia muito discurso e se colocava pouca coisa em prática. A diferença deste governo é que não ficamos só na teoria, desmatamento não é para ser controlado de Brasília apenas", disse.

Cancún - A União Europeia fez ontem uma prestação de contas durante a Conferência do Clima da ONU em Cancún (COP-16) e afirmou que neste ano, até novembro, re­­passou 2,2 bilhões de eu­­ros (R$ 4,9 bilhões) aos países em desenvolvimento dentro do chamado Fast Start Fun­­ding – re­­cursos no curto prazo na área das mu­­danças climáticas. Foram beneficiados países emergentes co­­mo Bra­­sil e China, nações africanas e da Amé­­rica Latina.

Existe um acordo desde a COP-15, em Copenhague, para os países ricos doarem US$ 30 bilhões até 2012 para os países mais po­­bres. Os europeus dizem que vão contribuir com um total de 7,2 bilhões de euros nesses três anos. Depois, até 2020, en­­tra o financiamento de longo pra­­zo, no valor de US$ 100 bi­­lhões anuais.

O problema é que, como a própria União Europeia admitiu, metade do valor colocado na me­­sa até agora pelo grupo se refere a empréstimos. O Brasil e os de­­mais países em desenvolvimento não concordam que os empréstimos sejam incluídos no financiamento – somente doações. Isso faz parte da responsabilidade histórica – os países desenvolvidos são os maiores responsáveis pelas emissões de gases do efeitoestufa e precisam auxiliar as na­­ções em desenvolvimento a cortarem suas emissões e a se adaptarem para os im­­pactos inevitáveis do aumento da temperatura.

Segundo o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, essa manobra pode prejudicar o processo de confiança entre os países que negociam em Cancún. "Isso pode afetar de alguma forma o restante do resultado", afirmou.

Um dos argumentos usado pelos europeus é que, quando o recurso emprestado é usado para melhorar o isolamento de uma casa, por exemplo, o dinheiro é obtido de volta com a economia de energia elétrica.

O que o governo brasileiro concorda é que neste ano os re­­cursos sejam menores ou que tenha de haver remanejamento de recursos – já que a proposta de financiamento foi aprovada em dezembro de 2009 e os países não tiveram tempo de incluir os valores no Orçamento de 2010.

Cientistas alertam em Cancún para impactos das mudanças climáticas.

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