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A China determinou inspeções especiais em repolhos e outros vegetais perecíveis em todo o país após a descoberta do uso ilegal de formaldeído (substância conhecida popularmente como formol) para conservar alimentos durante o transporte.
A medida foi anunciada depois que autoridades confirmaram a autenticidade de vídeos que mostram repolhos sendo mergulhados em uma solução da substância no norte do país.
O caso ocorreu no condado de Kangbao, na cidade de Zhangjiakou, na província de Hebei. Segundo uma investigação preliminar, compradores atacadistas utilizavam o produto durante o carregamento dos vegetais com o objetivo de prolongar a vida útil das mercadorias e reduzir a deterioração durante o transporte.
A determinação partiu conjuntamente do Departamento de Segurança Alimentar do Conselho de Estado, do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e da Administração Estatal de Regulação do Mercado. As autoridades locais receberam orientação para realizar verificações direcionadas, rastrear os produtos envolvidos e impedir que alimentos tratados ilegalmente chegassem aos consumidores.
Os três órgãos também afirmaram que eventuais violações serão punidas com rigor. As inspeções, inicialmente relacionadas ao episódio dos repolhos, deverão ser ampliadas para outras regiões e incluir diferentes tipos de vegetais perecíveis.
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Formaldeído em alimentos preocupa autoridades
O formaldeído é uma substância química utilizada em diferentes processos industriais, mas não deve ser empregado dessa maneira para conservar alimentos.
A exposição pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias. A ingestão aguda de soluções que contêm a substância também pode provocar efeitos graves, segundo informações da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.
A repercussão do episódio foi grande nas redes sociais chinesas. No Weibo, uma das principais plataformas do país, a hashtag relacionada ao caso havia acumulado mais de 14 milhões de visualizações até segunda-feira (24), segundo a Agência EFE.
Entre os comentários, usuários demonstraram indignação com a prática e questionaram a fiscalização sobre a segurança dos alimentos comercializados no país.
Um dos internautas ironizou a situação ao afirmar que os consumidores talvez precisassem comprar seus próprios equipamentos para atuar como inspetores de segurança alimentar. Outro classificou o uso irregular de substâncias químicas como um problema conhecido no setor.
O episódio reacendeu um debate recorrente na China sobre controle sanitário e fiscalização da cadeia de produção e distribuição de alimentos. Casos anteriores envolvendo adulterações e falhas de controle contribuíram para aumentar a preocupação dos consumidores chineses com a procedência e a segurança dos produtos.
Histórico de escândalos de segurança alimentar na China
Um dos episódios mais graves ocorreu em 2008, quando uma fórmula infantil adulterada com melamina provocou a morte de pelo menos seis bebês e afetou cerca de 300 mil crianças. O escândalo teve grande repercussão internacional e abalou durante anos a confiança dos consumidores chineses na indústria nacional de produtos lácteos.
Mais recentemente, em 2024, sete empresas foram multadas após as autoridades descobrirem que óleo de cozinha havia sido transportado em caminhões-tanque que anteriormente eram utilizados para produtos químicos. O problema estava relacionado à falta de higienização adequada dos veículos antes do transporte dos alimentos.
Em julho de 2025, outro caso chamou atenção das autoridades. Uma ocorrência de intoxicação por chumbo em um jardim de infância na cidade de Tianshui, no noroeste da China, levou à hospitalização de 201 crianças.
O novo caso envolvendo os repolhos levou o governo chinês a ampliar a fiscalização sobre alimentos perecíveis. A intenção é identificar outras ocorrências semelhantes, interromper práticas consideradas ilegais e evitar que produtos tratados com substâncias inadequadas cheguem às prateleiras e às mesas dos consumidores.



