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Grupos de haitianos que atribuem aos estrangeiros a epidemia de cólera que o país enfrenta e deflagraram uma onda de violência contra os militares | REUTERS/Allison Shelley
Grupos de haitianos que atribuem aos estrangeiros a epidemia de cólera que o país enfrenta e deflagraram uma onda de violência contra os militares| Foto: REUTERS/Allison Shelley

Pela primeira vez desde que o general brasileiro Luiz Guilherme Paul Cruz assumiu o comando das forças de paz das Nações Unidas no Haiti, em abril, as tropas que fazem o policiamento de Porto Príncipe, capital do país, tiveram de deixar as ruas, em razão da hostilidade contra os militares. Grupos de haitianos que atribuem aos estrangeiros a epidemia de cólera que o país enfrenta e deflagraram uma onda de violência contra os militares.

A retirada ocorreu nesta quinta (18), mas os militares começaram a retornar gradativamente nesta sexta (19), informou Cruz em entrevista por telefone ao G1. Segundo ele, a ordem foi para que os militares instalados em Porto Príncipe "evitassem enfrentamentos com a população". O brasileiro comanda a missão formada por 9 mil militares de 19 países.

Haitianos culpam a missão do Nepal, que integra a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), pelo alastramento do cólera pelo país.

Diante das acusações, a Minustah determinou a realização de uma série de exames na cidade de Mirabilis, onde estão instaladas as tropas do Nepal. Segundo o general, todos os exames descartaram a presença do vírus causador da cólera nas bases militares do país. "Eu afirmo que a Minustah não é responsável [pela epidemia]. Eu estou baseado em exames médicos", disse Cruz.

Em razão da epidemia, as manifestações contrárias à presença dos militares se intensificaram. Na quinta-feira, feriado da independência do país, a situação ficou ainda mais tensa, com militares sendo atacados com pedras e outros instrumentos por manifestantes que tomaram as ruas da capital.

"No dia de ontem, 18 de novembro, em que se comemora a batalha em que os haitianos venceram os franceses na sua independência, houve manifestações de toda ordem e aí, por motivos variados, elas até se tornaram motivos de violência. Isso aconteceu em Porto Príncipe e em Captien Haitien. Em Porto Príncipe, nós recomendamos a nossas tropas que saíssem das ruas para que não se tivesse possibilidade de enfrentamento", afirmou Cruz.

"Eu entendo que, numa época de epidemia, as pessoas ficam com medo. E o que há de mais próximo é apontar o estrangeiro. E o mais fácil é apontar o soldado e dizer ele é o culpado. Ele é um estrangeiro, ele que trouxe a doença. E aí, uma vez feitoisso, a percepção fica presente", declarou.

De acordo com o responsável pela Minustah, as tropas brasileiras já estão retomando os trabalhos nas ruas da cidade desde amanhã desta sexta. Alguns serviços de engenharia, como o de reconstrução de ruas, já puderam ser retomados.

Segundo Cruz, parte das tropas brasileiras foi deslocada também para auxiliar na cidade de Captien Haitien, localizada no norte do país, onde os protestos têm sido mais intensos.

"Hoje [sexta-feira] as coisas estão mais normais [...], as patrulhas já estão nas ruas. As tropas de engenharia trabalharam nas ruas, fizemos trabalho de asfalto durante a noite, continuaram as providências para a entrega do material eleitoral em diferentes pontos do país. Inclusive lá no norte, o comércio está aberto", afirmou o general.

Segundo o general, até mesmo na região norte do país, onde a ONU suspendeu o envio de ajuda humanitária para a população nesta semana, a situação já está sendo normalizada.

De acordo com Cruz, a suspensão da ajuda foi feita a pedido do presidente do Haiti, René Preval, que queria solucionar com a própria população as manifestações que tomavam conta das cidades. Parte das estradas que levam para a região, segundo o militar, já começaram a ser desbloqueadas.

"Durante três dias, deixamos de enviar ajuda humanitária porque a estrada ficou interrompida. Hoje, fizemos a abertura da estrada. Nós recebemos o pedido do próprio governo para que evitar o confronto e eles tratassem na esfera política a manifestação. E isso foi feito", afirmou Cruz.

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