
Ela já foi chamada de geração bumerangue, por voltar para a casa dos pais depois de adulta, e de geração limbo, por viver à espera de que a crise passe para conseguir um emprego, uma casa, uma vida. Nos últimos tempos, sociólogos rebatizaram a juventude dos Estados Unidos de "geração aluguel": carregando nas costas dívidas contraídas para pagar a universidade e entrando no mercado quando o crédito imobiliário está restrito, eles estão adiando indefinidamente a compra da casa própria, que sempre foi considerada parte essencial do sonho americano.
"Historicamente, sempre foi mais fácil comprar uma casa nos EUA, em comparação com a Europa. A terra sempre foi mais barata, os transportes sempre foram mais baratos (seja o transporte público, no século 19, ou a gasolina para os carros), a forma de construir dos americano, usando madeira, é menos dispendiosa", diz o historiador Kenneth Jackson, considerado uma autoridade no processo de urbanização dos EUA, professor da Universidade Columbia, em Nova York.
O bairro de Williamsburg, atual enclave de descolados no Brooklyn, a apenas uma estação de metrô do Lower East Side de Manhattan, é um bom exemplo do fenômeno da geração aluguel. Na década passada, no auge da bolha de especulação imobiliária, centenas de apartamentos brotaram na antiga zona industrial com a premissa de que tudo seria vendido rapidamente. Com o estouro da bolha, os prédios foram convertidos em rental buildings edifícios exclusivos para aluguel, ocupados geralmente por jovens entre 20 e 35 anos. Nos EUA, 9,9% das casas pertencem a pessoas com idades entre 25 e 34 anos, enquanto 25,6% das residências alugadas têm inquilinos nessa faixa etária.
A corretora Michele Witty, da imobiliária Williamsburg Realty, radicada há 15 anos no bairro, diz que, na contramão do desaquecido mercado de compra e venda de imóveis, os preços dos aluguéis dispararam. Um apartamento de quarto e sala, que custava US$ 1.100 por mês em média, hoje se aluga por uma faixa de US$ 1.800 a US$ 2.800 mensais. Já o valor médio das residências nos EUA caiu de US$ 292,6 mil em 2008 para US$ 267,9 mil em 2011, e os juros estão baixos. Mas, como as regras para a concessão de um financiamento imobiliário endureceram, com a exigência de um sinal de ao menos 20% e de comprovação de histórico positivo de crédito, a saída para muitos é alugar.
Mudança
Segundo a socióloga Katherine Newman, professora da Universidade Johns Hopkins e autora do livro The accordion family, que analisa o fenômeno da volta dos filhos adultos para a casa dos pais, a tendência de morar de aluguel deve ser duradoura, provocando uma mudança importante em uma sociedade onde o índice médio de proprietários ficou acima de 60% nos últimos 50 anos, e onde quem vivia em casa alugada era considerado um perdedor.



