Apoiador de Nkurunziza segura um retrato do presidente, que conseguiu evitar um golpe de Estado | GORAN TOMASEVIC/REUTERS
Apoiador de Nkurunziza segura um retrato do presidente, que conseguiu evitar um golpe de Estado| Foto: GORAN TOMASEVIC/REUTERS

O golpe de Estado contra o presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, fracassou definitivamente nesta sexta-feira (15) após a detenção dos militares insurrectos e a volta do líder à capital do país, Bujumbura.

Os militares que tentaram um levantamento militar há dois dias para pôr fim à onda de violência desencadeada pela decisão de Nkurunziza de aspirar a um terceiro mandato anunciaram nesta sexta-feira sua rendição e foram detidos pelas autoridades do país.

Sua renúncia aconteceu poucas horas depois que o líder anunciou, ontem à noite, que estava outra vez no país, após participar na quarta-feira em reunião dos líderes da África Oriental.

Volta

O presidente chegou ontem à noite ao Burundi, e esta tarde a Bujumbura, onde foi recebido entre gritos por centenas de simpatizantes que levavam balões com as cores e camisetas com o lema da campanha de seu partido, o Conselho Nacional para a Defesa da Democracia (CNDD-FDD).

Nkurunziza chegou escoltado por uma longa caravana de veículos oficiais, fortemente vigiada por policiais e militares, segundo um vídeo pendurado no perfil do Facebook do líder.

Após sua chegada, o líder do Burundi avisou em comunicado oficial que “não haverá piedade para os inimigos da democracia”, ao mesmo tempo em que encorajou os burundineses a participar das eleições de junho.

Os confrontos registrados ontem entre militares golpistas e leais ao governo nos arredores da sede da radiotelevisão nacional, a “RTNB”, deixaram 12 soldados mortos que apoiaram o levantamento e 35 feridos, segundo o ministro de Segurança, Gabriel Nizigama.

As forças governamentais detiveram cerca de 40 militares golpistas e nove se renderam.

Início do confronto

Enquanto Nkurunziza participava na quarta-feira na reunião de Dar-es-Salam, um general anunciava em Bujumbura o golpe. O presidente burundinês deixou a capital comercial tanzaniana em direção a Bujumbura, onde não pôde aterrissar porque militares tinham fechado as fronteiras aéreas e terrestres do país.

Cerca de 105 mil burundineses fugiram de suas casas nas últimas semanas e se refugiam na região, principalmente na Tanzânia, que abriga 70.187 nacionais desse país, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur.

O número de refugiados que chegaram à Tanzânia aumentou bruscamente nos últimos dias, com cerca de 50 mil burundineses assentados na pequena cidade de Kagunga, às margens do lago Tanganica, que separa ambos os países.

Ruanda, para onde se dirigiram os primeiros refugiados, acolhe 26.300 burundineses, e a República Democrática do Congo 9.183.

Desde o final de abril, quando o partido de Nkurunziza tornou públicas suas aspirações à reeleição, pelo menos 20 civis morreram no Burundi durante os protestos contra os planos do presidente de se apresentar a um terceiro mandato, algo que, segundo a oposição, é proibido pela Constituição burundinesa.

A decisão de Nkurunziza de apresentar sua candidatura criou temores entre amplos setores da população burundinesa, que há apenas uma década saiu de uma guerra civil (1993-2005) que afundou o país e ainda afeta a sociedade.

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