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Policiais e seguranças do lado de fora do Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, em Wuhan| Foto: Hector RETAMAL/AFP

A epidemia de coronavírus fez o governo central chinês demitir dois altos oficiais da província de Hubei, onde 974 pessoas morreram. Em todo o país o número de mortes chegou a 1.016 nesta terça-feira (11) e mais de 42 mil casos foram confirmados.

A emissora estatal chinesa CCTV informou que Zhang Jin, secretário do Partido Comunista da Comissão de Saúde de Hubei, e Liu Yingzi, diretor da Comissão de Saúde, foram demitidos. Wang Hesheng, o vice-líder da Comissão Nacional de Saúde da China vai assumir os dois cargos.

A demissão de ambos vem depois de uma onda de revolta contra o governo central nas redes sociais por causa da morte de um dos primeiros médicos a alertar sobre a existência do novo coronavírus. Li Wenliang trabalhava no Hospital Central de Wuhan durante as primeiras semanas do surto quando soube que sete pacientes estavam em quarentena no hospital com sintomas parecidos com os da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), uma infecção por vírus que matou mais de 700 pessoas em 2003.

Li alertou seus colegas sobre os casos por mensagens, que acabaram circulando nas redes sociais. Foi então que o médico recebeu a "visita" de autoridades, que o acusaram de "divulgar informações falsas" que "causaram distúrbios graves à ordem social", segundo o relato do médico em redes sociais. Outras sete pessoas também foram investigadas pela polícia.

O médico começou a ter sintomas de infecção por coronavírus em 10 de janeiro, após ter contato com pacientes no hospital em que trabalha. Ele foi internado dois dias depois; suas condições de saúde pioraram e ele passou a ser tratado na unidade de terapia intensiva. Li acabou falecendo em 6 de fevereiro por causa da doença.

Na rede social Weibo, internautas chineses pediram para que o governo se retrate e peça desculpas a Li. Alguns acusaram o governo de subestimar a gravidade do novo vírus e de tentar acobertar os casos. Essa reação acabou sendo mais um revés político para o presidente da China, Xi Jinping, que já estava tendo que lidar com críticas internas e externas sobre como o governo comunista está lidando com a epidemia do novo coronavírus.

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