Uma epidemia silenciosa da Aids pode estar em curso na China, denunciou nesta terça-feira o chefe do Instituto de Educação para a Saúde de Pequin, Wan Yanhai. Segundo ele, algumas amostras de sangue utilizadas em transfusões não vem sendo testadas para o vírus HIV, da Aids.
- Em muitos locais, o sangue não é testado. Muitas pessoas nem suspeitam que foram expostas aos vírus e o governo se esquiva de investigar o problema temendo provocar reações coléricas da opinião pública. Estão encobrindo uma possível epidemia - afirmou Wan. - Não há relatos oficiais sobre transfusões de sangue - relcamou Wan, mostrando aos repórteres a carta que escreceu ao Ministério da Saúde exigindo atitudes.
A legislação da China prevê que se façam testes de rotina no material coletado antes da transfusão. O Ministério da Saúde também deveria oferecer testes gratuitos a todas as pessoas que receberam transfusões de sangue desde 1987 - quando a doença apareceu pela primeira vez no país.
Para Wan, a lentidão do governo chinês em reconhecer o risco de epidemia contribui para a propagação da doença, especialmente na província de Henan, localizada na região central da China, onde milhões de pessoas venderam sangue para clínicas particulares na década de 1990.
- Em localidades muito pobres, as pessoas vendem sangue para clínicas pequenas e muitas vezes sem registro do Ministério da Saúde, para complementar o rendimento. Nem sempre é feita uma triagem suficientemente cuidadosa.
O Ministério Público não comentou as acusações.
Houve cerca de 25 mil mortes causadas pela AIDS na China em 2005. No último mês, Pequin apontou uma redução de 30% no número estimado de pessoas vivendo com o vírus da Aids. Dos 650 mil casos, 11% teriam sido causados por transfusões de sangue e 40% através de relações sexuais e uso de drogas intravenosas.







