O governo do México ridicularizou a ideia de uma trégua na guerra contra o narcotráfico depois que um jornal - que teve dois jornalistas mortos - ter pedido que os cartéis divulguem suas exigências.

O porta-voz do presidente Felipe Calderón para questões de segurança afirmou que não pode haver negociações com criminosos depois que o editorial do jornal El Diário de Juárez, de Ciudad Juárez, ter considerado os líderes do tráfico os governadores efetivos da cidade. "É simplesmente inapropriado de qualquer forma, para qualquer partido, tentar fazer acordos, promover uma trégua ou negociar com criminosos", disse Alejandro Poire.

Em editorial publicado na capa, o jornal diz que os cartéis devem divulgar suas regras sobre o que deve aparecer nos jornais. "Vocês são a autoridade de facto na cidade agora", diz o texto, referindo-se ao conflito entre os cartéis de drogas que mataram mais de 2 mil pessoas em Ciudad Juárez apenas neste ano, apesar da presença de cerca de 4.500 policiais e militares na cidade. "Pedimos a vocês que expliquem o que querem de nós, o que querem que publiquemos e o que não publiquemos".

O editorial foi escrito após um ataque contra dois fotógrafos do El Diário na quinta-feira da semana passada. Uma das vítima, Luis Carlos Santiago, de 21 anos, morreu, e seu colega, Carlos Sanchez, ficou seriamente ferido. Em 2008, um repórter policial do diário, Armando Rodríguez, foi morto em frente a sua casa.

Mais de 30 jornalistas foram mortos e um está desaparecido desde que Calderón lançou uma ofensiva militar contra o crime organizado em 2006, segundo o Comitê de Proteção aos Jornalistas sediado em Nova York. O aumento da violência fez com que muitos jornais passassem a censurar a cobertura da guerra do tráfico, algumas vezes omitindo os nomes dos cartéis ou ignorando certos ataques.

Os cartéis de Sinaloa e Juárez lutam pelo controle da cidade de 1,3 milhão de habitantes, do outro lado da fronteira com El Paso no Texas, um dos principais pontos de entrada de drogas nos Estados Unidos. Calcula-se que 28 mil pessoas tenham morrido em ataques relacionados ao tráfico de drogas no país desde 2006. As informações são da Dow Jones.

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