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O governo do presidente argentino Javier Milei avalia que o novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, está ainda mais alinhado às ideias da direita do que seu antecessor, Santiago Peña, destituído nesta sexta-feira (6) após um processo de impeachment. Apesar da queda de um de seus principais aliados regionais, a Casa Rosada recebeu positivamente a chegada de Alliana ao poder e não espera mudanças na parceria política e econômica entre os dois países.
A avaliação foi revelada pelo canal argentino TN, que ouviu integrantes do governo Milei sobre a crise política provocada pela quebra do Ueno Bank, instituição financeira que mantinha relações com Peña e administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos.
“Alliana é ainda mais de direita e próximo das ideias de Milei do que Santiago Peña”, afirmou ao TN um integrante do governo argentino que acompanha as relações internacionais da Casa Rosada.
Segundo a reportagem, o governo argentino considera que a permanência do Partido Colorado na Presidência do Paraguai deve garantir a continuidade da aproximação política entre os dois países. Um integrante próximo ao gabinete de Milei minimizou os possíveis efeitos da crise paraguaia sobre a relação bilateral.
“Não afeta em nada. Continua governando o Partido Colorado, que é nosso aliado”, declarou a fonte ao canal argentino.
Alliana, que ocupava a Vice-Presidência desde agosto de 2023, tomou posse para concluir o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.
A relação entre Milei e Peña havia se fortalecido nos últimos anos, especialmente pelas posições semelhantes em relação ao Mercosul. Os dois presidentes defendiam maior abertura comercial, redução de barreiras e flexibilização das regras do bloco para permitir negociações com países de fora da organização.
Milei visitou o Paraguai duas vezes em 2025. Em abril, os dois governos discutiram investimentos, comércio e integração regional. Em setembro, o presidente argentino voltou a Assunção e participou da Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC), encontro internacional que reúne políticos e representantes de movimentos conservadores.
O governo argentino também já mantinha contatos com Alliana antes da crise. Em dezembro do ano passado, o então vice-presidente paraguaio foi recebido na Casa Rosada por Santiago Caputo, um dos principais assessores políticos de Milei. Alliana estava acompanhado de integrantes do governo paraguaio ligados às áreas ambiental e energética.
Segundo o TN, interlocutores do presidente argentino consideram que a chegada de Alliana antecipou uma transição política que já era discutida no Paraguai. O novo presidente era apontado como possível candidato à sucessão de Peña nas eleições de 2028.







