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EUA x Brasil

Governo Trump considera condenação de Eduardo Bolsonaro como perseguição

Ex-deputado não prestou depoimento nem indicou advogados. DPU contesta trâmites e defende liberdade de expressão.
Ex-deputado Eduardo Bolsonaro se encontrou com Trump no final de maio (Foto: Zoltan Balogh/EFE)

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Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou à agência de notícias britânica Reuters que a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro é vista pelos EUA como perseguição política.

De acordo com a fonte, que não se identificou na reportagem, a nova ação do Judiciário brasileiro faz parte de um "padrão de perseguição e guerra jurídica por parte dos tribunais brasileiros contra a oposição política".

O porta-voz acrescentou que "os debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, e não por condenações", como aconteceu na última terça-feira, quando a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) sentenciou Eduardo pelo crime de coação no curso do processo.

O ex-deputado, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado a quatro anos de prisão, a serem cumpridos em regime semiaberto, além de ficar inelegível.

A sentença foi proferida após a Procuradoria-Geral da República (PGR) acusar o então parlamentar, com base em declarações públicas e postagens em redes sociais, de ter colaborado para que o governo dos EUA impusesse sanções a autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, que foi relator do processo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a comentar a condenação de Eduardo em coletiva após a cúpula do G7, na França, nesta quarta-feira. Na ocasião, ele afirmou que o Brasil se tornou “um pouco conturbado” e “perigoso politicamente”, segundo noticiado por agências internacionais.

Ele também chegou a comentar sobre a decisão do STF, aparentemente fazendo confusão entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência, e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Ouvi dizer que eles prenderam alguém que está concorrendo à presidência. Ouvi dizer que prenderam ‘Bolsonaro Jr’. Ele estava indo bem nas pesquisas, mas o prenderam ou querem prendê-lo”, afirmou Trump.

Pronunciamento surge menos de um mês após visita de Flávio e Eduardo à Casa Branca

A menos de um mês, Eduardo Bolsonaro participou de reuniões com líderes da Casa Branca, ao lado do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do jornalista Paulo Figueiredo.

O ex-deputado chegou a posar para uma foto ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump. No mesmo dia, eles se encontraram com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, um forte crítico do Brasil.

No início do mês, o chefe da diplomacia americano chegou a afirmar que a América Latina está "repleta" de países aliados de Washington, algo que considerou uma “conquista importante”. No entanto, ele citou o Brasil na lista de exceções ao lado de ditaduras como a da Venezuela, Nicarágua e Cuba.

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