
Ouça este conteúdo
O governo do presidente Donald Trump pediu a países aliados que retirassem o apoio a uma conferência sobre desinformação realizada nesta semana na Lituânia, depois que os organizadores incluíram na programação um debate que apresentava os Estados Unidos como uma "ameaça à Europa". O pedido foi feito pelo Departamento de Estado americano a representantes do Canadá, da França e da Lituânia, segundo revelou a agência Reuters nesta quarta-feira (7).
A conferência, chamada #Disinfo2026, ocorreu entre quarta e quinta-feira (8), em Vilnius, capital da Lituânia. Um dos debates tinha como tema os Estados Unidos como uma "ameaça de manipulação e interferência estrangeira de informações". A programação também incluía uma apresentação da juíza Kimberly Prost, do Tribunal Penal Internacional (TPI), que foi sancionada pelo governo americano.
Segundo a Reuters, diplomatas americanos procuraram autoridades dos três países durante vários dias para questionar o apoio ao evento. A embaixadora dos EUA na Lituânia, Kara McDonald, participou dos contatos com o governo lituano. A agência teve acesso a correspondências diplomáticas e ouviu três autoridades americanas que tinham conhecimento das conversas.
A Lituânia acabou cancelando sua participação na conferência. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do país explicou que algumas partes da programação eram diferentes das posições oficiais do governo.
O Canadá também mudou seus planos, mas manteve representantes no evento. O Ministério das Relações Exteriores canadense informou que decidiu rever a participação em alguns debates depois de mudanças na maneira como os assuntos seriam apresentados.
Os dois países apareciam inicialmente entre os principais apoiadores da conferência, organizada pela EU DisinfoLab, uma entidade sediada em Bruxelas que reúne especialistas e representantes de governos para discutir campanhas de desinformação.
O serviço diplomático da União Europeia também deixou de aparecer na lista de apoiadores. A França manteve seu apoio ao encontro.
O governo Trump criticou a conferência. Questionado pela Reuters, o Departamento de Estado disse que a decisão de alguns países de se afastarem do evento não deveria causar surpresa.
Segundo o órgão, tratar os Estados Unidos como uma ameaça de desinformação “prejudica os objetivos compartilhados e deveria alarmar os envolvidos”.
A programação que provocou a reação americana estava disponível ao público desde pelo menos 9 de setembro. O painel questionava como os Estados Unidos teriam se tornado uma "ameaça de manipulação e interferência de informações para a Europa" e propunha discutir "como os países europeus deveriam reagir a essa situação".
Um diplomata francês disse à Reuters que o governo de Emmanuel Macron não havia participado da elaboração da programação da conferência e que o país costuma apoiar iniciativas de organizações civis voltadas ao combate à desinformação.
A controvérsia ocorreu em um momento em que a Lituânia tenta ampliar a presença militar americana em seu território. O país, que faz fronteira com a Rússia e Belarus, já recebe tropas dos Estados Unidos e manifestou interesse em sediar uma base militar americana permanente, inclusive com os custos pagos pelo próprio governo lituano.







