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Crise diplomática

Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos EUA

Donaldo Trump, presidente dos EUA (Foto: AARON SCHWARTZ/EFE/EPA)

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O governo de Donald Trump revogou nesta terça-feira (4) o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da missão brasileira no país.

A decisão seria uma retaliação pela recusa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em conceder seu aval diplomático formal (conhecido como agrément) ao embaixador indicado pelo governo Trump em Brasília, o deputado estadual republicano Daniel Perez, e à recusa de vistos a vários diplomatas americanos.

Um alto funcionário do Departamento de Estado disse em reunião privada com jornalistas que o documento será restabelecido se a demanda da gestão Trump for atendida. O Itamaraty ainda não se manifestou sobre a decisão.

O jornalista Paulo Figueiredo, que disse ter participado da reunião, questionou o membro da Casa Branca se novas ações relacionadas a visto e novos cancelamentos estavam sendo considerados. Segundo ele, a resposta foi que as outras medidas "não estão descartadas".

Trump indicou Daniel Perez para comandar a Embaixada dos EUA no Brasil em junho deste ano. O nome foi enviado ao Senado americano para análise e, se aprovado, ele assumirá a representação diplomática americana em Brasília, que está sem embaixador titular desde janeiro de 2025.

Na sabatina diante dos congressistas, o deputado republicano focou seu discurso na crescente ameaça do crime organizado e de potências estrangeiras no Brasil. Ele mencionou ainda o potencial econômico da relação entre os países, especialmente na exploração de minerais críticos, setor que o Brasil se destaca no mercado mundial.

A decisão decorre de uma série de desentendimentos diplomáticos acumulados ao longo do último ano e após o governo Lula decidir segurar a formalização do indicado de Trump para depois das eleições presidenciais de outubro. Segundo o oficial americano que falou com jornalistas nesta terça-feira, o Brasil tem atrasado a concessão do agrément ao indicado para embaixador e indicou que não resolverá a questão antes das eleições brasileiras.

Ele também afirmou que as autoridades brasileiras negaram vistos em março a uma delegação dos EUA que viajava para um fórum sobre minerais críticos.

Outros episódios recentes acirraram a crise entre os países. Um deles foi o novo tarifaço imposto pela Casa Branca e, dias depois, a negativa de vistos de entrada no Brasil a dois altos funcionários do Departamento de Estado americano, que pretendiam se reunir com autoridades nacionais e verificar a integridade das urnas eletrônicas.

Em fevereiro, um assessor de Trump escolhido para lidar com assuntos relacionados ao Brasil dentro do Departamento de Estado também foi barrado de entrar no país por decisão do presidente Lula.

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