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Corpos podem ser vistos em rua de Bucha em imagem de satélite de 19 de março
Corpos podem ser vistos em rua de Bucha em imagem de satélite de 19 de março| Foto: EFE/EPA/MAXAR TECHNOLOGIES

Assim que imagens de corpos de civis nas ruas da cidade ucraniana de Bucha, na região da capital, Kiev, começaram a ser divulgadas pela imprensa e causar indignação em todo o mundo, a Rússia abriu nova frente na guerra de contrainformação e vem alegando que os registros não passam de montagem ou encenação.

Numa postagem no Telegram, o Ministério da Defesa da Rússia argumentou que todas as unidades russas se retiraram completamente de Bucha na quarta-feira passada (30) e que as imagens de corpos só surgiram no quarto dia depois disso, no último fim de semana, “quando o Serviço de Segurança da Ucrânia e representantes da mídia ucraniana chegaram à cidade” – sugerindo que os cadáveres foram colocados em vias públicas após a saída das forças invasoras.

Além disso, a pasta sustentou que os corpos “não estavam enrijecidos após pelo menos quatro dias” e não apresentavam “manchas típicas de cadáveres e as feridas contêm sangue não coagulado”.

“Tudo isso confirma conclusivamente que as fotos e vídeos de Bucha são outra farsa, uma produção encenada e uma provocação do regime de Kiev para a mídia ocidental, como foi o caso de Mariupol com a maternidade, assim como em outras cidades”, acrescentou o ministério.

O embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, corroborou essa tese em entrevista coletiva. “De repente, eles [corpos] aparecem nas ruas, abandonados na estrada, um a um, à esquerda e à direita. Alguns deles estão se mexendo, alguns deles mostram sinais de vida”, afirmou.

Entretanto, imagens de satélite divulgadas pela empresa americana Maxar Technologies desmontam essa tese e provam que corpos estavam nas ruas de Bucha semanas atrás, quando a cidade ainda era controlada pelas forças russas.

“Imagens de satélite da Maxar de alta resolução coletadas em Bucha, Ucrânia, verificam e corroboram vídeos e fotos recentes de mídias sociais que revelam corpos jazendo nas ruas e deixados ao ar livre por semanas”, afirmou o porta-voz da Maxar Technologies, Stephen Wood, em comunicado na segunda-feira (4).

Refutando também a alegação russa de encenação, o jornal americano New York Times e a agência France Presse fizeram comparações que comprovam que corpos foram encontrados nos mesmos locais e posições em que estavam quando os russos controlavam Bucha.

De acordo com a equipe de investigações visuais do New York Times, imagens de satélite mostram corpos na rua Yablonska entre 9 e 11 de março que depois aparecem nas mesmas posições em um vídeo feito por um vereador local em 1º de abril, quando as forças ucranianas já haviam retomado Bucha.

Um segundo vídeo na rua Yablonska mostrou mais três corpos, um ao lado de uma bicicleta e outro perto de um carro abandonado – o veículo motorizado e o cadáver próximo já apareciam em imagens de satélite registradas entre 20 e 21 de março.

Já a France Presse comparou imagens da Maxar com fotos registradas por uma equipe da própria agência no sábado (2), quando os jornalistas viram os cadáveres de pelo menos 22 pessoas vestidas com roupas civis.

A France Presse informou que vários corpos que apareciam em uma imagem de satélite da Maxar datada de 19 de março estavam na mesma posição e nos mesmos locais em fotos feitas pela agência duas semanas depois.

A respeito de uma alegação feita pelo Ministério da Defesa russo no Telegram, que apontou dois corpos se mexendo em um vídeo gravado na rua Yablonska e postado online em 2 de abril, a agência informou que uma equipe sua esteve no local em 3 de abril e fotografou os dois cadáveres imóveis exatamente no mesmo local e nas mesmas posições do vídeo.

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