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Em meio ao cessar-fogo

Irã intensifica repressão com prisão de 35 acusados de ligações com EUA e Israel

Propaganda do regime islâmico em Teerã, capital iraniana (Foto: ABEDIN TAHERKENAREH/EFE/EPA)

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O regime do Irã anunciou nesta quarta-feira (15) a detenção de 35 pessoas acusadas de terrorismo, separatismo, tráfico de armas e vínculos com serviços de inteligência de Israel e dos Estados Unidos, no âmbito de uma campanha de prisões que começou com o estalar da guerra e que continua apesar da trégua.

“Trinta e cinco elementos terroristas, separatistas, traficantes de armas de guerra e pessoas vinculadas aos serviços inimigos americano-sionistas foram identificados e detidos em seis províncias do país”, informou o Ministério da Inteligência iraniano, em comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim.

Em momentos de crise, como nos protestos realizados entre o final de dezembro e janeiro e na atual guerra contra Estados Unidos e Israel (iniciada em 28 de fevereiro, mas no momento em um cessar-fogo de duas semanas), o regime iraniano costuma realizar prisões arbitrárias e acusar os alvos de ligações com inimigos geopolíticos.

No final de março, a ONG Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI, na sigla em inglês) divulgou um relatório que apontou que no primeiro mês de guerra as forças de segurança iranianas prenderam pelo menos 1,5 mil pessoas, segundo dados do regime, mas o número real pode ser muito maior.

“As autoridades iranianas estão se aproveitando da guerra como pretexto para lançar uma ampla campanha de repressão”, afirmou em comunicado Hadi Ghaemi, diretor executivo da ONG. “Essas prisões não têm a ver com segurança — elas visam silenciar a dissidência, punir críticos e instaurar o medo na sociedade.”

“Com mais de mil novos detidos, o risco de tortura, confissões forçadas e execuções é alarmantemente alto. Este regime demonstrou que mataria milhares em questão de dias durante os recentes protestos em janeiro. A comunidade internacional deve agir antes que isso se transforme em mais uma atrocidade em massa”, disse Ghaemi.

Entre os detidos cujas prisões foram anunciadas nesta quarta-feira, está o suposto fundador e líder de um grupo separatista vinculado a Israel, que promovia a secessão da província ocidental do Khuzistão.

Segundo o ministério, este grupo estaria envolvido em vários atentados e assassinatos nessa região, incluindo ataques que causaram a morte de um agente de inteligência.

Além disso, a pasta informou a desarticulação de duas células dedicadas ao tráfico de armas procedentes do Curdistão iraquiano, em uma operação na qual quatro pessoas foram detidas e foram apreendidas um total de 42 armas de fogo.

O ministério também anunciou a detenção de outras 30 pessoas acusadas de pertencer a grupos armados ou de colaborar com eles nas províncias de Gilan (norte), Kerman (sul), Hamadan (oeste) e Hormozgan (sul), que, segundo as autoridades, planejavam atentados com armas de fogo e explosivos caseiros, além de colaborar com meios de comunicação vinculados a Israel e fornecer informações a atores estrangeiros.

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