Esta deveria ser a época do ano em que Mohammad Ahmadi, dono de uma loja de nozes e castanhas, contabiliza seu lucro, após o recente feriado em que os iranianos tradicionalmente fazem estoques de pistache. No entanto, ele e outros comerciantes acabaram acumulando grandes pilhas de pistache em suas lojas.
Os iranianos se revoltaram contra um alimento que é tão ligado à sua identidade nacional quanto a torta de maçã é ligada aos norte-americanos. Um boicote ao pistache foi organizado pelo Facebook para protestar contra os preços, que mais que dobraram nos últimos meses.
"O número de clientes caiu terrivelmente", disse Ahmadi, observando a movimentada rua e a falta de pessoas em sua loja, no bairro de Salsabil, região sul de Teerã. O amado pistache se tornou mais uma vítima da complicada economia do Irã. A adesão ao boicote reflete o sentimento público em relação à inflação, agora em cerca de 30% ao ano, antes da eleição presidencial que em junho escolherá o sucessor de Mahmoud Ahmadinejad.
Apoio
Mesmo assim, o governo iraniano, que geralmente tenta conter a revolta da população em relação à economia, manifestou apoio pelo boicote ao pistache, novamente por motivos ligados às sanções lideradas pelo Ocidente ao programa nuclear do país.
As exportações de pistache têm uma contribuição pequena, mas importante, para a receita do país, em um momento no qual as sanções pressionam as vendas de gás e petróleo do Irã. O governo afirmou que menos pistache sendo consumido em casa significa maior quantidade disponível para vender no exterior.



