
O homem que quer ser o próximo presidente do Irã senta-se no lobby de um hotel, a alguns passos de seu escritório e a meio mundo de distância do país que quer liderar, espaço ultrapassado apenas pelos obstáculos que precisa superar para concorrer ao cargo. Hooshang Amirahmadi, um professor que leciona políticas públicas na Universidade Rutgers, apresentou sua candidatura à Presidência iraniana no ano passado.
Agora ele está envolvido numa luta quixotesca para a arrecadação de fundos, que vai de Nova York a Califórnia e até mesmo para Dubai e ao próprio Irã. Amirahmadi tem 65 anos e há 40 mora nos Estados Unidos, lugar a que chama de "meu país". Ele se casou em território norte-americano e sua filha cresceu em New Jersey. Mas ele se sente compelido a concorrer na eleição no Irã para reconciliar o conflito que ele e outros iranianos americanos sentem em seu interior.
"Eu sinto que não é fácil ser originalmente iraniano e estar aqui, e ser um cidadão deste país e ver os dois lados de sua luta a cada dia", disse Amirahmadi. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, foi eleito para seu segundo mandato em 2009, numa eleição que provocou grandes protestos. Agora, porém, ele não pode concorrer novamente.
Tiro no escuro
Embora ainda seja um participante que age nos bastidores, a candidatura de Amirahmadi é um tiro no escuro. Ele e todos os candidatos à Presidência iraniana devem ser aprovados pelo líder supremo do Conselho dos Guardiães, o aiatolá Ali Khamenei, antes da eleição, marcada para junho.
"A república islâmica não pode ir até Deus amanhã e dizer crie um ser humano para mim com essas características particulares, que seja um construtor de pontes, um pacificador e um desenvolvedor econômico, tudo numa pessoa só", disse Amirahmadi a seu próprio respeito, destacando que não é alinhado com nenhuma das facções políticas do país.



