Ramallah Israel libertou ontem 255 prisioneiros palestinos, a maioria do grupo laico Fatah, como um gesto de apoio ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, em sua disputa com a facção radical Hamas, que tomou o controle da Faixa de Gaza há um mês, após violentos confrontos.
"Dou graças a Deus que nos tenham honrado com o retorno para sua casa", disse Abbas, líder do Fatah, em uma cerimônia de boas-vindas na sede do governo da AP, em Ramallah.
"Temos de continuar trabalhando para o retorno de todos os prisioneiros palestinos." Há mais de 10 mil palestinos em prisões israelenses, a maioria detida durante os últimos sete anos.
Foi a maior libertação de prisioneiros palestinos desde 2005, quando 900 deles foram soltos por Israel. Um dos presos, da lista de 256 que seriam libertados, não foi solto, pois aparentemente se filiou ao Hamas na prisão.
"Tenho somente três palavras para dizer: liberdade, liberdade, liberdade. Nada é mais belo do que a liberdade", disse, emocionado, Abdelrahim Maluh, número 2 da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), um dos principais movimentos nacionalistas. "Ninguém pode apreciar melhor a liberdade do que quem foi privado dela", acrescentou Maluh, de 61 anos, preso desde 2002.
A libertação começou ao amanhecer, quando os prisioneiros foram retirados da prisão de Ketziot, no Deserto do Neguev, e colocados em vários ônibus que os levaram à passagem de Beitanya na entrada de Ramallah. Nos ônibus foram penduradas fotos de Abbas e seu antecessor, Yasser Arafat.
Os ex-prisioneiros foram recebidos por uma multidão. Parentes, amigos e vizinhos choravam e agitavam bandeiras palestinas. Em comemoração, alguns disparavam para o ar.
O movimento islâmico Hamas afirmou que nenhum de seus homens presos em Israel saiu ontem com os 255 palestinos. "Fazer circular informação sobre que gente do Hamas foi incluída neste assunto é apenas uma tentativa de tapar a vergonha do Fatah", disse, na Faixa de Gaza, o porta-voz do movimento islâmico Sami abu Zuhri.







