
Um ataque aéreo israelense matou ontem o comandante militar do grupo palestino Hamas, deflagrando a maior ofensiva na Faixa de Gaza desde a guerra de 2009.
Ahmed Jabari, 52 anos, foi atingido por um míssil quando circulava de carro na rua principal da cidade de Gaza. Um assessor que estava com ele também morreu.
Após a morte de Jabari, Israel lançou ataques em vários pontos da Faixa de Gaza, atingindo outros líderes do Hamas e alvos militares como depósitos de armas, segundo o Exército, que ameaçou ampliar a ofensiva.
Horas depois do primeiro míssil, o Exército iniciou o recrutamento de reservistas, indicando que também considera uma ação por terra.
O movimento islâmico Hamas, que controla Gaza desde 2007, prometeu vingança. "Israel abriu as portas do inferno", disse o grupo num comunicado. Para Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas, a execução de Jabari é "uma declaração de guerra".
Considerado por Israel o chefe do Estado-Maior do Hamas, Jabari era a figura mais dominante de Gaza e sua morte é um duro golpe para o grupo islâmico.
Chefe do grupo Ezedin al Qasam, o braço armado do Hamas, Jabari muitas vezes mandava mais que a liderança política do grupo. Foi ele que deu as cartas no lado palestino da negociação que resultou na troca do soldado israelense Gilad Shalit por mais de mil prisioneiros, no ano passado.
No entardecer, o horizonte alaranjado de Gaza era uma sucessão de focos de incêndio e fumaça, demarcando os mais de 30 ataques israelenses em poucas horas.
Mortos
Ao todo, pelo menos nove palestinos foram mortos. Segundo a agência de notícias palestina Maan, duas crianças morreram nos ataques.
O Exército israelense anunciou que entre os alvos atingidos estão mísseis de médio alcance, capazes de chegar até Tel Aviv.
O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, indicou que os ataques de ontem são só o começo. "Mandamos uma mensagem clara ao Hamas e a outras organizações terroristas", disse.
Em plena campanha para a reeleição de janeiro, Netanyahu ganha pontos com o público israelense ao tirar de cena o principal líder do Hamas. "Jabari é o Bin Laden de Netanyahu", comparou Avi Benayahu, ex-porta-voz do Exército israelense.







