Nos últimos meses, o governo da Itália deslocou 3 mil soldados para as ruas das principais cidades do país para ajudar na luta contra as Máfias. Agora, destacou 400 investigadores da polícia e 500 soldados apenas para a região ao noroeste de Nápoles, com muitos patrulhando a plana região campestre que está sob o poder dos Casalesi, nomeados desta maneira porque sua cidade natal é Casal di Principe.
As tropas ficarão em Casal di Principe até dezembro e a permanência poderá ser estendida se a violência persistir. Usar os militares contra criminosos não é algo novo na Itália já foi feito em Nápoles e na Sicília e a teoria diz que enviar as tropas libera os investigadores locais, que conhecem bem o território e podem intensificar a busca pelos suspeitos.
De qualquer maneira, a Camorra (Máfia napolitana) está provando ser um inimigo tenaz. "Eles não estão em decadência. Eles são muito fortes economicamente", diz o magistrado Franco Roberti, que lidera uma equipe de procuradores contra a Máfia em Nápoles.
A Camorra administra negócios lucrativos, que vão da exploração das corridas de cavalos e do jogo dos números (uma loteria local) ao tráfico de drogas, transporte de imigrantes clandestinos e o armazenamento de toneladas de lixo tóxico que vêm do norte industrializado da Itália para o subdesenvolvido sul, de acordo com o relatório da comissão antimáfia.
Mas a Camorra, em particular os Casalesi, prospera em extorquir "dinheiro de proteção" de comerciantes e cidadãos aterrorizados.
"Você mata um para ensinar uma lição a cem", é como Rodolfo Ruperti, um oficial de polícia na capital provincial de Caserta, descreve a mentalidade criminosa que está por trás dos assassinatos na região de Casal di Principe, onde já foram mortas pelo menos 18 pessoas desde a primavera (boreal) deste ano.
As vítimas incluem parentes dos "pentiti" (arrependidos) que deixam o crime e começam a colaborar com as autoridades, alguns raros comerciantes e empresários que se recusam a pagar a extorsão.
Mafiosos potenciais são tentados pelo dinheiro fácil que podem conseguir em cidades com a economia fraca como Casal di Principe, onde muitos dos jovens estão desempregados.
A fama da Camorra está se espalhando aos Estados Unidos. O filme Gomorra, premiado em novembro em Nova Iorque, é baseado em um livro escrito por um jornalista napolitano sobre a Máfia. O filme concorrerá ao Oscar de melhor filme estrangeiro, representando a Itália, em 2009.
O livro de Roberto Saviano conta em detalhes terríveis como a Camorra se infiltra em cada aspecto da vida na região. Saviano, atualmente com 29 anos, viveu por um tempo em Casal di Principe, uma cidade de 20 mil pessoas. Desde que escreveu o livro sobre a Camorra, ele vive sob escolta policial. Já recebeu várias ameaças de morte.







