
Jerusalém, Israel Israel retomou ontem as polêmicas obras nas proximidades da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, terceiro local sagrado para o Islã. O governo também mobilizou 2 mil policiais para enfrentar o terceiro dia consecutivo de protestos violentos.
Vinte e cinco manifestantes desafiaram a polícia fora do Portal do Magreb, na Cidade Antiga de Jerusalém. Eles gritavam cânticos, apesar do intenso barulho das escavadeiras em operação perto da Esplanada.
A polícia permanece em estado de alerta pelo terceiro dia consecutivo.
Na última sexta-feira, 20 palestinos e 15 policiais israelenses ficaram feridos em confrontos na região durante a dispersão de uma manifestação de "revolta" convocada por líderes religiosos palestinos. No sábado, quase 40 palestinos foram detidos em Jerusalém e na Cisjordânia durante manifestações contra as obras.
Os distúrbios acontecem uma semana antes da reunião de 19 de fevereiro entre a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o premiê israelense, Ehud Olmert. Os países ocidentais se esforçam para reativar o paralisado processo de paz (leia reportagem abaixo) no Oriente Médio.
Abbas afirmou ontem que a reunião com Rice e Olmert abrirá o caminho para uma solução rumo à paz no Oriente Médio.
As polêmicas obras também aumentaram a tensão política em Israel e já existem fissuras na coalizão de Olmert em relação ao prosseguimento das mesmas.
Líderes do Partido Trabalhista, de Israel, pediram a interrupção das obras, mas outros políticos insistem que os líderes muçulmanos não podem ditar a política do país por meio de ações violentas.
O acesso à Esplanada das Mesquitas continua limitado aos muçulmanos maiores de 45 anos residentes no leste de Jerusalém e portadores de uma carteira de identidade fornecida por Israel, o que exclui os palestinos da Cisjordânia. As mulheres não têm limite de idade, mas também precisam do documento de identidade israelense.
A polícia manteve as barreiras nas ruas em torno de Jerusalém para impedir que os palestinos da Cisjordânia tenham acesso ao leste da cidade.
Os policiais agiram rapidamente ontem para dispersar grupos de manifestantes e entrou em conflito com 25 pessoas concentradas do lado de fora das muralhas da Cidade Antiga, na zona leste ocupada de Jerusalém.
Duas pessoas foram detidas por agredir um policial.
Discórdia
Na terça-feira passada, Israel iniciou escavações arqueológicas antes de começar a colocação de vigas de apoio para uma rampa de acesso ao Portal do Magreb,por meio da qual se pode chegar à Esplanada das Mesquitas, já que a atual estrutura de madeira foi danificada em uma tempestade de neve em 2004.
A Esplanada das Mesquitas foi o pivô do início da segunda Intifada palestina, em setembro de 2000, após uma visita ao local do então líder da oposição israelense Ariel Sharon.



