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Jornal americano diz que Flávio é alvo de vingança e que Brasil ruma para a autocracia

Editorial do The Wall Street Journal afirmou que no Brasil os derrotados em eleições são processados, em referência a Jair e Flávio Bolsonaro (Foto: Antonio Lacerda/EFE)

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O americano The Wall Street Journal (WSJ) publicou nesta quarta-feira (28) um editorial no qual afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), que ontem chegou aos Estados Unidos e recebeu visto humanitário do governo Donald Trump, está sendo alvo de vingança política no Brasil.

O texto, intitulado “No Brasil, a vitória traz consigo a vingança política”, começa afirmando que “espera-se que os vencedores na política sejam magnânimos com os derrotados; no Brasil, contudo, eles processam os perdedores”.

“O presidente brasileiro Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva foi reeleito no domingo e, poucos minutos depois, seu governo determinou que o líder da oposição, Flávio Bolsonaro, entregasse seu passaporte”, afirmou.

“O ministro do Suprema Corte brasileira Alexandre de Moraes, um aliado de Lula, autorizou um pedido da Polícia Federal para a apreensão dos documentos de viagem de Bolsonaro. Na terça-feira, Bolsonaro deixou o Brasil secretamente, atravessando a fronteira com a Argentina acompanhado de sua esposa e filhas. Na quarta-feira, chegaram a Miami. Os Estados Unidos informaram ter concedido vistos à família — uma oferta justificável de proteção política”, escreveu o WSJ.

O jornal pontuou que, embora seja alvo de investigações, Flávio não foi formalmente acusado de nenhum crime.

“No entanto, ele tem bons motivos para acreditar que, caso venha a ser, não terá um julgamento justo. Durante um debate eleitoral, Lula afirmou que, assim que Bolsonaro perdesse sua imunidade parlamentar, ele enfrentaria todo tipo de investigação. Lula escolheu o alvo e prometeu encontrar o crime”, afirmou.

Durante o debate na Band, uma semana antes do segundo turno de domingo (25), Lula falou sobre a perda de imunidade parlamentar de Flávio caso este não vencesse a eleição presidencial, já que está no fim do mandato de senador.

“Você se prepare, porque no dia 25, você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito que agora vai andar. Se os seus amigos não estão deixando andar, agora vai andar”, afirmou o petista ao adversário na ocasião.

“A prerrogativa de decidir se um político federal deve ser alvo de um processo criminal cabe ao procurador-geral da República. Contudo, o ministro Alexandre de Moraes tem adotado a prática de ampliar sua própria jurisdição sempre que isso atende aos seus objetivos políticos”, escreveu o WSJ, citando a participação do juiz na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão em 2025 por acusações de tentativa de golpe de Estado.

“Flávio Bolsonaro junta-se a um grande número de jornalistas, blogueiros e formadores de opinião brasileiros dissidentes que optaram pelo exílio, preferindo essa condição a correr o risco de serem presos — um cenário que se tornou comum desde que a Suprema Corte anulou a condenação de Lula por corrupção, em 2017, e passou a censurar vozes críticas”, disse o jornal conservador.

O WSJ então lembrou que Lula poderá indicar até quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) no seu quarto mandato.

Além de Luís Roberto Barroso, que deixou a corte antecipadamente em 2025 e cuja cadeira ainda está vaga, serão aposentados compulsoriamente por atingir a idade de 75 anos os ministros Luiz Fux (em 2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).

“Caberá ao novo Senado brasileiro defender a integridade e a independência do Judiciário”, apontou o WSJ.

“Países que transitam da liberdade para a autocracia seguem, via de regra, um caminho semelhante: um demagogo vence nas urnas, apropria-se do Judiciário e encarcera seus opositores. Onde as instituições são sólidas, o Estado de Direito pode resistir. Não está claro se o Brasil conseguirá”, finalizou o jornal.

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