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Washington Post

Jornal dos EUA diz que caso Flávio expõe preocupações sobre Estado de Direito no Brasil

Washington Post citou ações de Moraes como exemplo de juízes atuando “como investigadores, promotores e julgadores” no Brasil (Foto: André Borges/EFE)

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O jornal americano The Washington Post, de perfil progressista e de propriedade de Jeff Bezos, dono da Amazon, publicou na quarta-feira (28) um editorial no qual afirmou que a ida de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter determinado depois da eleição brasileira de domingo (25) que o senador não poderia deixar o Brasil, levanta preocupações sobre o Estado de Direito no país.

O texto, intitulado “Quando juízes se tornam promotores” começa afirmando que “perder uma eleição não deveria levar candidatos a fugir de seus países”, em referência à chegada de Flávio com sua esposa e filhas à Flórida na quarta-feira.

“Aliados afirmam que ele não acredita que terá um julgamento justo no sistema judiciário de seu país. Isso é uma crítica contundente à segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental, mesmo que uma investigação criminal contra ele venha a se mostrar justificada”, escreveu o Post.

“As alegações de perseguição política feitas por Bolsonaro ganham um peso diferente devido aos poderes extraordinários que o Judiciário brasileiro acumulou nos últimos anos. Juízes frequentemente atuam como investigadores, promotores e julgadores”, afirmou o jornal americano, que apontou que Moraes “tem utilizado investigações sobre ‘desinformação’ e supostos ataques à democracia para exercer um controle significativo”, com o Inquérito das Fake News – cuja relatoria foi recentemente retirada de Moraes pelo presidente do STF, Edson Fachin – servindo de base “para ordenar buscas e prisões, bloquear contas e remover indivíduos das redes sociais”.

“Defensores de Moraes argumentam que ele está fortalecendo as instituições brasileiras após os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro pai invadiram o Congresso, o palácio presidencial e o Supremo Tribunal Federal. Contudo, um ataque ao Estado de Direito não confere aos juízes carta branca para agir à margem dele”, afirmou o Washington Post.

“Ninguém está acima da lei, inclusive aqueles encarregados de interpretá-la”, acrescentou o jornal de Bezos, que pontuou que as “consequências vão além da política”.

“O livre mercado depende do Estado de Direito, pois os investidores precisam ter a garantia de que contratos serão cumpridos, a propriedade será protegida e o poder governamental será exercido conforme regras estabelecidas, e não por meio de arbítrio”, afirmou.

O Post disse que “ações estranhas ​​continuam em Brasília” e citou a ordem do ministro do STF Flávio Dino após as eleições para que a Polícia Federal abrisse uma investigação sobre supostos contatos entre a Rockbridge Network — um consórcio de doadores cofundado pelo vice-presidente americano, J.D. Vance — e a campanha de Flávio.

“O Partido dos Trabalhadores, de Lula, apresentou uma representação ao Supremo Tribunal Federal. O espetáculo de a Suprema Corte abrir mais uma investigação politicamente explosiva, a pedido do partido do presidente, não inspira confiança nas alegações de independência do sistema judiciário”, criticou o Washington Post.

“O Brasil realizou uma eleição competitiva no domingo, vencida por Lula, mas o Partido Liberal, de Bolsonaro, detém o maior número de cadeiras em ambas as casas do Congresso. Ele [Flávio] deveria estar se preparando para liderar a oposição, em vez de se instalar no sul da Flórida. Uma democracia saudável precisa de derrotados que aceitem a derrota — e de um sistema de justiça no qual eles possam fazê-lo com segurança”, concluiu o editorial.

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