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Ação golpista

Junta militar promete promover eleições livres após golpe na Mauritânia

Presidente e premiê foram presos na quarta-feira. Militares prometeram restaurar democracia, mas não citaram datas

Apoiadores carregam cartaz do chefe da guarda presidencial Abdelaziz: ação golpista criou incertezas no país, mas general disse que próxima votação será livre e transparente | Vincent Fertey  / Reuters
Apoiadores carregam cartaz do chefe da guarda presidencial Abdelaziz: ação golpista criou incertezas no país, mas general disse que próxima votação será livre e transparente (Foto: Vincent Fertey / Reuters)

Os generais que deram o golpe de estado na Mauritânia anunciaram nesta quinta-feira (7) que vão realizar eleições presidenciais "o mais rápido possível", diante da incerteza criada pela ação golpista da quarta-feira e das posteriores condenações da comunidade internacional.

O "conselho de estado" presidido pelo general Mohamed Uld Abdelaziz, chefe da guarda presidencial, e integrado por mais dez chefes militares, assegurou, em mensagem pela TV estatal, que a votação, ainda sem data definida, vai ser feita de maneira "livre e transparente".

O objetivo, segundo a mensagem, é "relançar o processo democrático no país e estabelecê-lo sobre uma base sólida e duradoura".

A junta anunciou também que decidiu "acabar definitivamente" com o poder do presidente Sidi Mohamed Uld Cheij Abdalahi, investido em abril de 2007, e tomar as disposições necessárias para garantir a continuidade do estado.

O presidente deposto da Mauritânia, Sidi Old Sheikh Abdalahi, em foto de 30 de maio. (Foto: AP)O Conselho de Estado anunciou ainda que não dissolverá o Parlamento nem as demais instituições constitucionais e administrativas do país. "Continuarão exercendo suas atribuições, conforme a Constituição e as leis em vigor", declarou a junta em seu comunicado.

Mais tarde, o presidente da junta fez uma aparição pública e disse que vai "resolver todos os problemas do país".

As mensagens parecem ter o objetivo de tranqüilizar a comunidade internacional, que condenou o golpe da quarta-feira e mostrou preocupação com a detenção do presidente e do premiê Yahya Uld Ahmed Al Uaguef.

A tensão entre os militares e o presidente, surgida há meses, cresceu depois que a presidência anunciou a destituição dos chefes do Estado Maior das Forças Armadas.

Policiais acabaram nesta quinta-feira na capital do país, Nuakchott, com um protesto contra o golpe militar. A manifestação tinha sido convocada por integrantes do Pacto Nacional pela Democracia e o Desenvolvimento (PNDD), a Aliança Popular Progressista (APP), o islamita Tawassoul e a União de Forças do Progresso (UFP).

Todos eles se constituíram na autodenominada Frente Nacional de Defesa da Democracia.

"A polícia dispersou nossa marcha enquanto escoltava uma manifestação em massa favorável aos golpistas", disse à Agência Efe o vice-presidente da APP, Khalil Ould Teyib, que precisou que, embora não tenha havido feridos, os agentes utilizaram gás lacrimogêneo.

Esta marcha teve a participação de dezenas de pessoas, em comparação aos milhares de manifestantes que se reuniram frente ao palácio presidencial para mostrar seu apoio ao golpe de Estado.

No entanto, a Frente Nacional de Defesa da Democracia, partidária do detido presidente da Mauritânia, Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi, declarou nesta quinta-feira (7) em comunicado que o compromisso expressado pelos militares de organizar novas eleições "é uma fraude camuflada para confiscar a vontade do povo".

O Conselho de Estado, presidido pelo general Mohammed Ould Abdelaziz (chefe da Guarda Presidencial) e formado por outros dez militares de alto escalão, afirmou em mensagem exibida pela TV estatal que as eleições, que não tiveram data divulgada, serão realizadas de forma "livre e transparente".

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