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Mensagens foram coladas às janelas de salas de aulas dos estudantes desaparecidos | James Pearson/Reuters
Mensagens foram coladas às janelas de salas de aulas dos estudantes desaparecidos| Foto: James Pearson/Reuters

Promotores pediram nesta sexta-feira a prisão do capitão Lee Joon-seok, de 69 anos, que comandava a barca Sewol naufrada na última quarta-feira, deixando até agora 28 mortos e mais de 270 desaparecidos. Além dele, foram expedidos mandados de prisão a outros dois membros da tripulação. Enquanto as equipes de buscas não encontram sobreviventes, a investigação avança. Um suboficial, e não Lee, pilotava a embarcação no momento da tragédia. Muito criticado pelas famílias dos desaparecidos por abandonar a embarcação quando centenas de passageiros ainda estavam presos, o capitão estava na na popa no momento do acidente.

- Era o terceiro-tenente que estava no comando no momento do acidente - declarou o procurador-geral Park Jae-eok, em entrevista coletiva. - O capitão não estava no leme.

Além de ordenar que os passageiros permanecessem parados enquanto a embarcação já afundava, Lee também é acusado de não ter colaborado com o resgate. Suas motivações ainda não estão claras, mas ele já é amplamente criticado por abandonar o barco que comandava enquanto centenas de estudantes tiveram suas chances de sobreviver diminuídas por causa das ordens dadas por ele. Uma investigação foi iniciada, e Lee foi ouvido, mas seu depoimento não foi tornado público. O capitão também terá que explicar por que um suboficial, e não ele, conduzia a embarcação na hora do desastre. Depois, Lee pediu "perdão", mas não justificou suas ações.

- Eu realmente peço perdão. Não sei o que dizer - disse, escontdendo o rosto com um capuz.

Um dos vídeos enviados durante a tragédia mostra passageiros desesperados e encurralados enquanto uma voz saía dos alto-falantes: "Fiquem no interior e esperem porque as cabines são mais seguras". Os sobreviventes lembram, porém, de cenas de bravura de um dos membros da tripulação, Park Ji-young. Ela ajudou vários estudantes a saírem do barco antes mesmo de colocar seu colete salva-vidas. Mais tarde, foi encontrada entre os mortos.

- Ela disse que só se preocuparia consigo mesma após ajudar todos os outros. E gritou para que os estudantes saíssem. Foi a última vez que a vi - disse uma das estudantes sobreviventes.

Apesar da atitude corajosa, os testemunhos foram de que a tripulação, em alguns momentos, prejudicou o escape. O próprio oficial de comunicações do barco, Kang Hae-seong, reconheceu a falta de treinamento e disse que a equipe já tinha feito simulações de incêndio, mas nunca de evacuação. O barco demorou duas horas e 20 minutos para naufragar.

- Por uma hora eu repeti várias vezes para as pessoas se acalmarem e ficarem onde estavam. Não tive tempo de olhar o manual de evacuação - disse ele de uma cama de hospital em Jindo.

Assim, apenas dois dos 44 botes salva-vidas foram usados. Outros detalhes, como a ausência de coletes salva-vidas no terceiro andar, onde estavam dezenas de estudantes, também pesaram sobre as autoridades. A investigação ainda deve responder sobre um possível desvio da rota e explicar por que o barco virou tão rápido após parar.

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