
A Câmara de Cassação Penal da Argentina suspendeu nesta sexta-feira (19) a libertação, anunciada nesta quinta-feira, de 11 agentes acusados de violação dos direitos humanos durante a ditadura militar que governou o país entre 1976 e 1983. A decisão de libertá-los havia sido tomada pela mesma entidade, sob a justificativa de que havia expirado o tempo máximo permitido para manter os acusados em prisão preventiva, sem que a Justiça houvesse emitido uma sentença. Na Argentina, este prazo é de dois anos e pode ser prorrogado por mais um.
Entre os presos estão o ex-capitão Alfredo Astiz, conhecido no país como "anjo da morte", um dos mais cruéis repressores que atuaram no centro clandestino de detenção instalado na Escola de Mecânica da Armada (Esma), e Jorge "Tigre" Acosta, um dos idealizadores dos chamados "vôos da morte", procedimentos em que presos políticos eram sedados, levados a helicópteros e atirados ao mar ainda vivos.
A suspensão foi ordenada nesta sexta ante um "recurso extraordinário" apresentado pelo secretário de Direitos Humanos da nação, Eduardo Luis Duhalde.
A libertação havia causado protestos de movimentos sociais ligados aos direitos humanos e da presidente Cristina Kirchner. "É um dia de vergonha para os argentinos e para a humanidade, e também para a nosso Justiça", disse nesta quinta à presidente.
Ela definiu como uma "perversidade do sistema" o fato de que repressores sejam libertados quando é a própria Justiça que atua de maneira lenta.
No ano passado, Cristina já havia criticado a Câmara de Cassação, alegando que o órgão levava muito tempo para julgar outros agentes da repressão.
Alfredo Astiz é acusado de ter assassinado uma estudante da Suécia, duas freiras francesas e dezenas de argentinos. Acosta foi indiciado por seqüestros de bebês e assassinatos de civis. As informações são da Ansa.







