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Futuro

Líbia corre risco de afundar em disputa pelo poder

Analistas afirmam que um dos desafios do novo governo será administrar a expectativa de 6 milhões de líbios

Veja quem fazia parte do Clã de Kadafi |
Veja quem fazia parte do Clã de Kadafi (Foto: )
Combatente anti-Kadafi mostra lugar onde o ex-ditador líbio estaria escondido quando foi capturado, em Sirte, sua cidade natal |

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Combatente anti-Kadafi mostra lugar onde o ex-ditador líbio estaria escondido quando foi capturado, em Sirte, sua cidade natal

A disputa pelo poder entre os setores bem armados da nova liderança líbia pode se intensificar após a morte do autocrata Muamar Kadafi, segundo a avaliação de estudiosos da política do país norte-africano.

O teste mais importante do Conselho Nacional de Transição, na opinião dos analistas, será administrar as enormes expectativas dos 6 milhões de habitantes, agora libertados definitivamente do receio de que Kadafi poderia algum dia voltar a impor seu do­­mínio.

"Há uma expectativa enorme no ar. Até agora eles (o CNT) tinham a desculpa de que estavam em guerra. Agora, não têm mais essa desculpa. Tudo precisa acontecer", diz John Hamilton, especialista na Líbia da organização Cross Border Information.

"Isso não será fácil. Eles precisam tomar medidas concretas para a população. Por outro lado, isto (a morte de Kadafi) pode trazer de volta a lua-de-mel que o CNT desfrutou quando Trípoli caiu, se conseguirem montar um governo decente em pouco tempo", acrescenta.

A captura de Sirte e a morte de Kadafi significam que agora o CNT precisa iniciar a tarefa de forjar um novo sistema democrático.

Alguns temem que a instabilidade se prolongue, o que pode atrapalhar esse processo.

"Kadafi agora virou um mártir e, com isso, existe a possibilidade de virar foco de violência tribal – talvez não no futuro imediato, mas em médio e longo prazo", avalia George Joffe, especialista sobre o norte da África da Uni­­versidade Cambridge.

"O fato de que é possível atribuir sua morte à Otan é preocupante, em termos de apoio regional, e pode enfraquecer a legitimidade do Conselho Nacional de Transição", afirma.

Mas as autoridades interinas do CNT também têm pela frente uma tarefa que talvez seja mais crítica: controlar um grupo de milícias armadas anti-Kadafi que vêm competindo – até agora, pacificamente – por participações nas verbas e na representação política na Líbia pós-Kadafi.

O especialista em Líbia Alex Warren, da Frontier MEA, firma de pesquisas e assessoria sobre o Oriente Médio e norte da África, diz que a morte de Kadafi "é sem dúvida um evento significativo, de importância muito maior que a apenas simbólica".

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