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Entrevista

“Os líbios estão cansados de guerra"

Mustafa al-Turke, cientista político e porta-voz da Associação Líbia de Berlim

Com a morte do ditador Muamar Kadafi, a Líbia entra em uma nova era. A opinião é do cientista político Mustafa al-Turke, porta-voz da Associação Líbia de Berlim. Segundo al-Turke, nascido em Benghazi há 44 anos, cada família líbia tem uma vítima para lamentar na guerra civil.

Com a morte de Kadafi acaba a guerra civil?

Sim. Os líbios estão cansados da guerra. Foram meses dramáticos, que deixaram feridas profundas na sociedade líbia. Só entre rebeldes, o saldo foi de 80 mil mortos. Há combatentes, mas também mulheres e crianças. Cada família, cada casa na Líbia tem um morto ou um ferido grave para lamentar. Com a morte de Kadafi, o regime acaba definitivamente e, com isso, também termina o conflito armado.

Até que ponto as circunstâncias confusas da morte de Kadafi podem ser um problema para o novo governo provisório da Líbia?

Com a sua morte, agora a Líbia entra em uma nova era. Há entre os líbios um clima de grande entusiasmo pelas chances que o país tem de construção de um regime democrático, pela primeira vez, depois de cerca de 40 anos.

O senhor vê o risco de uma repetição do exemplo do Iraque, onde, depois da morte do ditador Saddam Hussein, a violência continuou?

Não vejo esse perigo porque, ao contrário do Iraque, não temos na Líbia um conflito religioso. O único conflito que existia era entre o regime e os dissidentes. Agora, os adeptos de Kadafi devem desistir de continuar lutando porque o motivo da luta, o ditador, deixou de existir.

O senhor vê o risco de conflito entre as tribos, depois que o inimigo em comum, que unia todos na luta, Kadafi, deixou de existir?

A sociedade líbia é uma sociedade de tribos, mas as diferentes tribos não vivem em conflito entre si. Essa história do perigo de divisão do país em tribos foi uma invenção de Kadafi para poder oprimir a população com mais veemência.

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