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Estudantes participam de novo protesto contra o presidente Nicolas Maduro neste domingo (16) | REUTERS/Jorge Silva
Estudantes participam de novo protesto contra o presidente Nicolas Maduro neste domingo (16)| Foto: REUTERS/Jorge Silva

Vídeo do jornal Últimas Noticias acusa integrantes do serviço de inteligência de atirar contra manifestantes no dia 12, quando dois estudantes morreram

O jornal Últimas Noticias, da Venezuela, publicou neste domingo (16) um vídeo no site Youtube em que acusa integrantes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) de atirar contra manifestantes no último dia 12, quando dois estudantes morreram.

Com base em fotos e imagens da internet, o periódico mostra indivíduos identificados com uniformes do Sebin acompanhados e outros com vestimentas civis, ambos com armas de fogo letais nas mãos. Na sequência, as imagens revelam que este grupo de policiais abrem fogo contra um grupo de manifestantes durante uma marcha convocada pelos estudantes em Caracas. Neste dia, foram assassinados Bassil Dacosta e Juan Montoya nas esquinas das ruas Tracabordo e Monroy.

Veja a reportagem e o vídeo

Maduro: não renunciarei a mandato dado pelo povo

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse ontem, sábado (15), que não renunciará e que "não entregará um só milímetro do poder que recebeu do povo do país". Em meio a fortes protestos que enfrenta, ele participou de marcha em Caracas. Durante a marcha, ele disse que aprofundará a "revolução bolivariana muito além dos limites". A marcha havia sido convocada pelo governo na última sexta-feira (14), em apoio a um "plano de pacificação" lançado para combater a criminalidade no país. A ideia da marcha, de acordo com o presidente, era de "reunir a população em prol da paz e contra o fascismo".

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O líder oposicionista Leopoldo López, alvo de uma caçada policial sob a acusação de incitar a violência no protesto de semana passada que resultou em três mortes, disse neste domingo (16) que irá se entregar após promover mais uma manifestação. Em vídeo gravado em uma localização não revelada, López disse que não teme a prisão e acusou as autoridades de tentarem violar seu direito constitucional de protestar contra o governo socialista do presidente Nicolás Maduro.

Assista ao vídeo da convocação da manifestação (em espanhol)

Nos últimos dias o clima de polarização aumentou no país vizinho e o confronto entre forças policiais e grupos de protestos é cada vez mais frequente. No sábado, 23 pessoas ficaram feridas. Neste domingo mais uma noite de protestos em Caracas. As forças de segurança combateram os cerca de 500 manifestantes com gás lacrimogêneo e balas de borracha. O protesto tinha como objetivo demandar que todos os manifestantes contrários ao governo detidos fossem liberados.

O líder oposicionista convocou os manifestantes a se reunirem novamente na terça-feira (18), trajados de camisas brancas, para marcharem pacificamente com ele ao Ministério do Interior, onde ele deve entregar uma petição demandando uma investigação completa do papel do governo nas mortes. No mesmo dia, ele se entregará às autoridades. "Eu não cometi nenhum crime. Se há uma decisão para legalmente me colocar na cadeia, eu me entregarei a essa perseguição", disse. López não é visto em público desde uma coletiva de imprensa na noite de quarta-feira.

As forças de segurança da Venezuela invadiram sua casa e a de seus pais no sábado. Os oficiais possuíam uma ordem de prisão sob acusações que variam de vandalismo à propriedade pública a terrorismo e homicídio. Testemunhas disseram que vizinhos bateram em jarras e panelas para protestar contra o que consideraram uma ordem de detenção arbitrária.

López é formado em Harvard e foi prefeito do município de Chacao de 2000 a 2008. Ele tem insistido na manutenção dos protestos para pressionar Maduro a desistir do poder, enquanto o presidente da Venezuela classifica o oposicionista de fascista e exige que ele se entregue às autoridades.

Sábado

Pelo menos 23 pessoas ficaram feridas na noite deste sábado (15) em mais um confronto entre estudantes e as forças de segurança em Chacao, cidade ao lado de Caracas, na Venezuela. Os confrontos começaram quando os manifestantes tentaram de novo fechar a autoestrada Francisco Fajardo, que liga a cidade à capital e que havia sido bloqueada na sexta-feira (14). A ação foi reprimida por agentes da Guarda Nacional Bolivariana.

Em resposta, parte dos estudantes entrou em bairros de Chacao, fez barricadas com fogo e atacou as sedes da magistratura e do Tribunal Supremo de Justiça. Além de depredar os prédios, o grupo quebrou e saqueou dois postos bancários dentro dos complexos judiciais.

A secretaria de Saúde de Chacao confirmou 23 feridos, sendo sete atingidos por balas de borracha, dez com ferimentos leves e outros seis com falta de ar devido ao uso de bombas de gás lacrimogêneo pela polícia. Outros dois manifestantes foram presos.

A violência foi condenada pelo prefeito da cidade, o opositor Ramón Muchacho, que criticou os manifestantes no microblog Twitter. "Não há nenhum líder dos manifestantes que denuncie a presença de infiltrados? Há uma terrível falta de liderança e direção. É só anarquia. Isso é o que queremos?"

Pouco antes do confronto, o presidente Nicolás Maduro suspendeu o serviço de metrô e ônibus para Chacao, a fim de evitar os confrontos na cidade. "Nós não podemos ceder porque estamos tentando derrotar um movimento fascista que quer acabar com o país que nós temos."

Os líderes estudantis, no entanto, não deram sinais de que pretendem ceder. "Nós não vamos nos render, vamos continuar nas ruas, brigando pelos venezuelanos e jovens que querem um país democrático, com a imprensa livre, justiça e igualdade", disse Juan Requesen, da Universidade Central da Venezuela.

O grupo Anonymous atacou sites de dois símbolos da insatisfação dos manifestantes -a Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), que controla a venda de moeda estrangeira, e a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), órgão que regula os meios de comunicação e a internet.

No mesmo discurso, Maduro afirmou que a polícia procura o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López, um dos principais líderes opositores, que teve ordem de prisão decretada na última quinta-feira (13) por envolvimento na violência dos protestos. "López ordenou todos esses meninos violentos, que ele treinou, para destruir o escritório do Ministério Público e a metade de Caracas. Agora ele se esconde", disse o presidente. "Renda-se, covarde!"

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