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Mulher protesta contra associação que defende comércio de armas para civis nos EUA | Alex Wong/Getty Images/AFP
Mulher protesta contra associação que defende comércio de armas para civis nos EUA| Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP

No dia em que americanos em diversos estados do país lembraram as vítimas do massacre da escola de Sandy Hook, em Connecticut, com minutos de silêncio, a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) iniciou uma ofensiva para conter a pressão crescente por uma legislação que restrinja o acesso a armas semiautomáticas e a pentes de munição de alta capacidade.

A principal proposta do grupo de lobby pró-armas é colocar um policial armado em cada escola do país. Nos cálculos da revista eletrônica Slate, a medida resultaria num gasto anual da ordem de US$ 5,5 bilhões aos cofres públicos, considerando apenas o total de escolas e a remuneração média dos policiais.

Numa entrevista sem direito a perguntas, o vice-presidente da organização, Wayne LaPierre, instou o Congresso a aprovar um modelo de Proteção Nacional Escolar antes que os alunos voltem às aulas, em janeiro.

"A única coisa que pode parar uma má pessoa com uma arma é uma pessoa boa com uma arma", disse, destacando que com tantos recursos em ajuda internacional e no Orçamento federal, o país poderia arcar com o custo dos policiais.

A entrevista — interrompida duas vezes por manifestantes que foram retirados do local, ao exibirem cartazes com mensagens como "a NRA está matando nossas crianças" — marca a primeira declaração do grupo após a tragédia. Hoje, LaPierre já tem aparição agendada no programa de entrevistas "Meet the Press". Até então, a NRA tinha apenas divulgado nota afirmando estar chocada com o massacre.

Nas redes sociais, a página do grupo saiu do ar e somente ontem foram publicados comentários no Twitter. Segundo o Centro pela Política Responsável, a NRA está entre os 20 maiores grupos de interesse que investem em campanhas. Na última eleição, o grupo despendeu US$ 18 milhões em campanhas de políticos pró-armas.

A reação do grupo ocorre ao fim de uma semana em que o presidente Barack Obama nomeou uma força-tarefa para formular propostas de mudança na legislação sobre armas, chefiada pelo vice-presidente Joe Biden. A comoção causada pela morte na escola de 20 crianças, seis adultos, além do atirador e de sua mãe fez com que legisladores democratas conservadores, tradicionalmente pró-armas, revissem suas opiniões e defendessem regras mais rígidas.

Em seu discurso, LaPierre afirmou que se o país protege bancos, aeroportos, prédios públicos e o presidente com armas, deveria fazer o mesmo com as crianças. Segundo ele, manter as escolas livres de armas diz a cada insano do país que elas são o local mais seguro para causar o máximo de dano com o mínimo de risco.

O vice-presidente da NRA acusou a imprensa de demonizar a posse de armas e apontou uma lista de responsáveis pela recorrência de tragédias no país, como a mídia, os videogames e os filmes violentos.

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