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Compra de aviões

Lula recebe Sarkozy e confirma favoritismo a caças franceses

Governo brasileiro exige transferência de tecnologia para fechar contrato no valor de 8,6 bilhões de euros

“Uma coisa é certa: o G-8 não é mais suficiente. Se quisermos que seja eficaz somos obrigados a ampliá-lo aos grandes países emergentes, sem os quais não poderemos enfrentar os desafios globais. Esses países são, por exemplo, a China, a Índia e, naturalmente, o Brasil”, Nicolas Sarkozy, presidente da França | Eric Feferberg/AFP
“Uma coisa é certa: o G-8 não é mais suficiente. Se quisermos que seja eficaz somos obrigados a ampliá-lo aos grandes países emergentes, sem os quais não poderemos enfrentar os desafios globais. Esses países são, por exemplo, a China, a Índia e, naturalmente, o Brasil”, Nicolas Sarkozy, presidente da França (Foto: Eric Feferberg/AFP)

Paris - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, em entrevista concedida à imprensa francesa, o favoritismo a aviões de caças franceses Rafale na licitação FX-2, que prevê a renovação da esquadrilha da Força Aérea Brasileira (FAB). A declaração veio a público no dia em que o chefe de Estado da França, Nicolas Sarkozy, desembarcou no Brasil para a visita que deve marcará a conclusão de um acordo histórico de venda de armas e de tecnologia no valor de 8,6 bilhões de euros (R$ 22,5 bi). Segundo Lula, as discussões entre os dois países estão "muito avançadas", mas não garantiu se o anúncio da venda ocorrerá hoje.

As declarações foram feitas durante entrevista concedida à emissora TV5 Monde, à Radio France Internacional (RFI) e ao jornal Le Monde. Durante 45 minutos, a venda dos caças Rafale, fabricados pela Dassault, foram o assunto dominante.

"Nós montamos um Plano Estratégico de Defesa Nacional e em torno deste plano estamos elaborando uma política estratégica com a França, a fim de que possamos assinar contratos envolvendo submarinos, helicópteros e discutir também a questão dos aviões de caça", afirmou Lula.

Diante da insistência dos jornalistas sobre o resultado da licitação FX-2, do qual participam também os aviões Gripen NG, da sueca Saab, e F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, o presidente disse que discutirá a decisão com o Ministério da Defesa e o comando da Força Aérea Brasileira (FAB).

"O Brasil passa por uma fase na qual terá de tomar uma decisão, e todo mundo sabe que uma das exigências que o Brasil faz é de ter acesso à tecnologia", explicou, dizendo que o país "sonha produzir" uma parte do avião.

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Indagado se o anúncio do vencedor po­deria ser feito durante a visita de 24 horas de Sarkozy a Brasília, Lula não confirmou, mas revelou o fa­­vo­­ritismo. "Nossas discussões estão mui­­to avançadas e eu acho que che­­garemos a um bom entendimento com a França. Nós temos um relacionamento de confiança com o presidente Sarkozy", reiterou.

"Para nós, a compra dos caças tem um componente essencial, que é a transferência de tecnologia e a possibilidade de fabricar uma parte desses aviões no Brasil. Quem estiver com essa disposição estará mais próxima de fechar o contrato com o Brasil. E vocês sabem bem quem tem essa disposição mais forte", insinuou aos jornalistas.

Hoje, Lula e Sarkozy assistirão juntos ao desfile de Sete de Setembro em Brasília. Durante a reunião de trabalho a seguir, os dois chefes de Estado deverão assinar o acordo de compra, por parte do Brasil, de quatro submarinos convencionais Scorpène e de um casco de submarino nuclear, além da construção de um estaleiro e de uma base naval no Rio. Pelos contratos de Marinha, o Ministério da Defesa pagará 6,7 bilhões de euros (R$ 17,7 bilhões). Além deles, será homologada a produção e compra de 51 helicópteros pesados Cougar EC-725 Helibras, filial da Eurocopter, ao custo de € 1,9 bilhão (R$ 5,05 bilhões).

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