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A presidente da Moldávia, Maia Sandu, mostra a carta com o pedido para entrada do país na UE
A presidente da Moldávia, Maia Sandu, mostra a carta com o pedido para entrada do país na UE| Foto: EFE/EPA/STRINGER

Uma Ucrânia “neutra”, sem aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e à União Europeia (UE), é a principal meta do presidente russo, Vladimir Putin, com a invasão à ex-república soviética. Se o objetivo, porém, era intimidar outros vizinhos, o tiro pode ter saído pela culatra.

Desde o início da invasão russa à Ucrânia, governos da região estão buscando adesão à UE e também manifestando maior interesse em ingressar na Otan. Na última segunda-feira (28), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apresentou um pedido para que o bloco aceite o país “urgentemente”.

Poucos dias depois, foi a vez de Moldávia e Geórgia, também ex-repúblicas soviéticas, apresentarem solicitações para entrar na UE.

“Queremos viver em paz, com democracia e prosperidade, sendo parte do mundo livre”, disse a presidente da Moldávia, Maia Sandu, que justificou que a solicitação foi feita neste momento porque “algumas decisões devem ser tomadas de forma urgente e decidida, para aproveitar as oportunidades apresentadas pelo cenário mutável do mundo” – numa referência à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Desde a invasão russa, também houve movimentações para ingresso na Otan. A Suécia e a Finlândia iniciaram discussões para entrar na aliança militar do Ocidente.

“Juntos, vemos que a situação de segurança mudou notavelmente desde que a Rússia atacou a Ucrânia. É um fato que temos que considerar”, justificou a primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin. Em resposta, a Rússia alertou para “sérias consequências político-militares” caso os dois países entrem na Otan – a Finlândia tem a segunda maior fronteira com o território russo na Europa, com cerca de 1,3 mil km, atrás apenas da Ucrânia.

Para Natali Hoff, professora do curso de Relações Internacionais da Uninter, esse movimento não é inesperado, devido ao aumento das tensões no Leste europeu a partir de 2014, quando a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia e passou a apoiar separatistas na região de Donbass, no leste do país vizinho.

“Essas tensões obviamente despertam um certo receio principalmente entre países do entorno estratégico da Rússia, porque são muito mais fracos do ponto de vista militar e, em caso de qualquer tipo de confronto, pode haver efeitos catastróficos para os governos locais. A partir do momento em que há uma política de agressão, com a invasão ao território ucraniano, podia-se esperar esse movimento por esses estados”, justifica Hoff.

Pela carta constitutiva da Otan, para que um país possa se tornar membro, precisa ser aceito por unanimidade pelos que já integram a aliança.

A professora aponta que a questão que fica é se a política de agressão russa pode funcionar como um desincentivo para os países da Otan concordarem com a entrada de mais países do Leste europeu – do antigo bloco comunista, Albânia, Bulgária, Croácia, República Tcheca, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Montenegro, Macedônia do Norte, Polônia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia já são integrantes.

“Acredito que essa pode ser umas das razões da opção de Putin pela agressão, passar a mensagem de que ele estaria disposto a usar de todos os meios possíveis para garantir a segurança russa, já que no imaginário do país e na sua política externa e de segurança, existe essa percepção de ameaça com o avanço da Otan”, argumenta Hoff.

Na mesma linha, Putin não tem interesse na adesão de mais países do Leste europeu à UE, por entender essas entradas como um desequilíbrio de poder na região.

“A UE não tem um artigo como o artigo 5º da Otan [que estipula que uma agressão a um estado-membro é uma agressão a toda a aliança] e não tem forças militares próprias, mas a entrada de um país como a Ucrânia, por exemplo, representaria um compromisso com as potências ocidentais e essa aproximação também é vista como uma ameaça para a política externa e de segurança russa, principalmente no seu entorno estratégico”, explica a professora.

“Por mais que a UE não tenha as características da Otan, ela possui uma política de defesa conjunta e uma política externa que precisa ser pensada de maneira conjunta entre os estados-membros”, acrescenta.

Nesta segunda-feira (7), a UE anunciou que iniciou o processo para que Ucrânia, Moldávia e Geórgia se tornem membros do bloco.

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