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Tbilisi – Mais de 50 mil manifestantes foram às ruas ontem no centro de Tbilisi, em passeata em direção ao Parlamento, para exigir a renúncia do presidente Mikhail Saakashvili, quatro anos depois da "Revolução da Rosa" que o levou ao poder. Ante o Parlamento da Georgia a multidão pedia a saída do presidente e eleições legislativas antecipadas. Trata-se da maior manifestação desde a "Revolução da Rosa".

"Acabou a era Saakashvili", declarou Kaja Kukava, deputado do Partido Conservador, no início da manifestação. "Não tenho medo", "Liberdade para o povo", afirmavam os cartazes dos manifestantes diante do edifício do Parlamento, protegido por um imponente esquema policial.

"As petições da oposição não podem ser levadas a sério. A data das eleições não mudará", afirmou durante entrevista a um programa da televisão, Rustavi-2 Giga Bokeria, da liderança do Movimento Nacional, partido no governo.

As autoridades dizem também que as exigências da oposição são inconstitucionais, e insistem na realização de eleições presidenciais e legislativas no outono de 2008.

Quase quatro anos depois de ter comandado a "Revolução da Rosa", quando entrou no Parlamento com uma rosa na mão em novembro de 2003, apoiado por milhares de manifestantes, Mikhail Saakashvili perdeu grande parte de sua popularidade.

"Os jovens não querem viver num país como esse. Queremos uma Geórgia realmente democrática", explicou Irina Ejabauri, 29 anos. "Saakashvili é um mentiroso. Ele traiu as esperanças do povo. Não temos liberdades."

A evolução democrática desta antiga república soviética do Caúcaso, que Saakashvili quer colocar na Otan, foi elogiada pelo presidente americano George W. Bush durante sua visita à Geórgia, em 2005. Porém, a oposição denuncia a boa reputação internacional do presidente que esconde, segundo ela, a repressão interna, a instrumentalização da justiça e o aumento da distância que separa os ricos dos pobres no país. "Apoiamos Saakashvili durante a revolução, mas não o apoiamos mais", declarou Guennadi Kvernadzé, 54 anos, denunciando o "fracasso" de Saakashvili após quatro anos de presidência.

Além disso, um alto representante do partido do presidente georgiano rejeitou ontem as exigências da oposição, que pede eleições legislativas antecipadas.

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