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Várias pessoas deixaram Tóquio nesta terça-feira (15) e moradores permaneceram dentro de suas casas em meio a temores de que a radiação de uma usina nuclear atingida pelo terremoto de sexta-feira afete uma das maiores e mais densamente povoadas cidades do mundo.

Apesar das garantias do governo municipal de que os baixos níveis de radioatividade detectados até o momento na capital japonesa "não são um problema", moradores e turistas decidiram que permanecer na cidade era simplesmente arriscado demais.

Várias empresas retiraram seus funcionários de Tóquio, visitantes reduziram as férias e companhias aéreas cancelaram voos. A Administração de Aviação dos Estados Unidos informou que está se preparando para redirecionar rotas caso a crise nuclear se agrave.

Aqueles que permaneceram na capital japonesa estocavam alimentos e outros suprimentos, temendo os efeitos da radiação, que levou pânico à cidade de 12 milhões de habitantes.

No principal aeroporto da cidade, centenas de pessoas se enfileiravam, muitas delas com crianças, para embarcar em voos deixando o país.

"Não estou muito preocupado com um outro terremoto. É a radiação que me assusta", disse Masashi Yoshida, enquanto segurava a filha de cinco anos no aeroporto de Haneda.

Turistas, como a norte-americana Christy Niver, deram um basta. Sua filha Lucy foi mais enfática. "Estou apavorada. Estou tão apavorada que preferia estar no olho de um tornado", disse. "Quero ir embora".

A usina nuclear de Fukushima, afetada pelo tremor, está 240 quilômetros a norte de Tóquio. Autoridades disseram que a radiação na capital do país estava 10 vezes acima do normal à noite, mas não era o suficiente para prejudicar a saúde.

Mas a confiança no governo está abalada, e muitas pessoas se preparam para o pior.

Muitas lojas não tinham mais arroz, um produto essencial no Japão, e as prateleiras que tinham pão e macarrão instantâneo estavam vazias.

Cerca de oito horas depois de novas explosões acontecerem na usina, a agência meteorológica da ONU informou que os ventos estavam dispersando o material radioativo para o oceano Pacífico, distante do Japão e de outros países da Ásia.

A Agência Meteorológica Mundial, sediada em Genebra, informou, no entanto, que as condições climáticas podem mudar.

Alguns cientistas fizeram apelos para que a população de Tóquio mantenha a calma.

"O material radioativo vai chegar a Tóquio, mas ele é inofensivo ao corpo humano porque ele se dissipará até chegar a Tóquio", disse Koji Yamazaki, professor da escola de ciência ambiental da Universidade de Hokkaido.

"Se o vento ficar mais forte, isso significa que o material voará mais rápido, mas também que dispersará ainda mais no ar".

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