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Bojo Haran é o grupo que ficou famoso por sequestrar meninas na Nigéria. Na imagem, um protesto em Chibok, no país em questão, em um pedido para a liberação das reféns | REUTERS/Akintunde Akinleye
Bojo Haran é o grupo que ficou famoso por sequestrar meninas na Nigéria. Na imagem, um protesto em Chibok, no país em questão, em um pedido para a liberação das reféns| Foto: REUTERS/Akintunde Akinleye

O grupo islâmico Boko Haram segue sem divulgar informações sobre o paradeiro das 219 jovens estudantes sequestradas há seis meses na Nigéria. O silêncio permanece mesmo após o acordo de cessar-fogo entre o grupo e governo nigeriano, anunciado na última sexta-feira. Além disso, nesta semana, integrantes do Boko Haram atacaram duas aldeias e uma cidade no nordeste do país, o que levanta suspeitas sobre a veracidade da trégua.

Familiares das meninas sequestradas em uma escola no nordeste da cidade de Chibok disseram estar confusos, mas estão tentando manter as esperanças. "As coisas ainda são imprecisas, com muitas lacunas e declarações diferentes", disse Allen Manassés, irmão de uma das jovens. Manassés disse ainda que diariamente procura informações na imprensa sobre quando sua irmã Maria poderá voltar para casa.

Pessoas que fugiram nesta semana de Bama, cidade no nordeste nigeriano, disseram que centenas de moradores estão sendo detidos por não seguirem a versão da sharia (leis islâmicas) determinada pelo grupo. Por conta dessas detenções, a cadeia local está superlotada e as casas estão sendo usadas como prisões improvisadas. Muitos jovens têm sido forçados a se juntar ao Boko Haram e aqueles que se recusam são mortos, segundo relatos de moradores.

"Cidadãos são presos por causa até de cigarros, após um breve julgamento feito pelo grupo", informou Amina Bukar, uma mulher que fugiu de Bama. Ela disse ter caminhado no meio do mato por cinco dias antes de chegar a Maiduguri, capital do estado de Borno. Ela contou ainda que a comida está acabando porque as lojas foram saqueadas pelos integrantes do Boko Haram. "A água também está escassa", disse.

Em Abuja, capital da Nigéria, dezenas de ativistas continuam um protesto diário usando a hashtag #BringBackOurGirls, para exigir que o governo assegure a libertação das estudantes. A ativista Aisha Yesufu, afirmou que o porta-voz do governo anunciou que as meninas seriam libertadas na segunda-feira, o que não aconteceu. "Agora eles estão dizendo que isso vai ocorrer essa semana. Nós ainda estamos esperando, estamos muito ansiosos", disse ela.

As jovens foram sequestradas na manhã do dia 15 de abril deste ano quando rebeldes do grupo extremista islâmico entraram em uma escola pública de Chibok. Algumas das meninas conseguiram escapar, mas 219 permanecem desaparecidas.

Ao longo de cinco anos de ataques para a instalação do Estado Islâmico na Nigéria, milhares de pessoas foram mortas e centenas de milhares foram forçadas a deixar suas casas. O país é um dos mais populosos do mundo e os cerca de 160 milhões de cidadãos se dividem entre muçulmanos e cristãos.

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