O presidente chileno Sebastián Piñera e sua aliança de direita decidiram lançar uma ofensiva para investigar supostas irregularidades no governo de Michelle Bachelet, segundo informações divulgadas por vários meios de comunicação chilenos. A suposta ofensiva ocorre após a divulgação de uma pesquisa que mostrou que a popularidade do atual mandatário é de 54%, dois pontos porcentuais acima da votação que ele obteve no segundo turno da eleição em janeiro, embora 68% dos entrevistado desejem a volta de Bachelet ao poder em 2014. Já a rejeição a Piñera subiu para 34%. Bachelet deixou o cargo em 11 de março com aprovação de 80%.
Segundo os jornais La Tercera e El Mercurio, a ofensiva governista foi definida durante um jantar do qual Piñera participou na véspera com legisladores de sua aliança política. O encontro foi convocado pelo presidente para superar algumas diferenças e coordenar suas ações políticas, no caso, incentivar a investigação contra Bachelet e seu governo, de acordo com os jornais.
O deputado Frank Sauerbaum, da Renovação Nacional, partido de Piñera, afirmou após o encontro, segundo o El Mercurio, que "o mandatário nos disse que as denúncias foram sérias e que se quiséssemos informações, poderíamos solicitá-las ao ministério correspondente".
Segundo o La Tercera, participantes do encontro disseram que Piñera havia dito que "há uma lista de irregularidades sobre as quais podemos nos informar". "Detectamos um número considerável de irregularidades na administração da ex-presidente Bachelet e vamos investigar", disse o deputado Gustavo Monckeberg, ao La Tercera.
As questões foram levantadas na semana anterior, quando o deputado Gustavo Hasbún pediu à Controladoria da República que investigue cerca que US$ 5 milhões que Bachelet entregou nos últimos meses de seu governo para diversas organizações não-governamentais, que não justificaram o uso dos recursos. Hasbún foi convocado à sede do governo para entregar provas que avalizariam a investigação dessas subvenções, segundo os meios de comunicação.
De acordo com os aliados do governo, as eventuais irregularidades ocorreram em contratos para o funcionamento da Transantiago, o moderno plano de transporte público na capital colocado em prática há três anos por Bachelet, e também em projetos habitacionais.
A coalizão de quatro partidos de centro-esquerda, que governou o Chile por 20 anos até o triunfo da direita, considera que as denúncias governistas têm como objetivo afetar a alta popularidade que Bachelet ainda mantém e destruir sua imagem. Estratégia similar foi usada contra o ex-presidente Ricardo Lagos, que deixou o cargo em 2006 com popularidade de 70%.
"Podemos dizer que esta é a primeira vez que, no início de um governo, as pessoas já estão pensando na sua substituição", disse o deputado opositor Pepe Auth à imprensa local.
Entre as irregularidades que os governos anteriores teriam cometido está a contratação pela administração pública de muitos ativistas políticos. Ao endossar as milhares de exonerações, Piñera disse que é preciso "esvaziar" o governo dos pessoas ligadas a partidos políticos. Um sindicato de funcionários públicos, a ANEF, protestou contra as demissões e prometeu convocar uma greve nacional.



