Lisboa (AFP/EFE) Milhares de fiéis assistiram ontem aos ofícios religiosos no santuário de Fátima, centro de Portugal, por ocasião do traslado dos restos mortais de irmã Lúcia a última dos três pequenos pastores que presenciaram as aparições da Virgem Maria em 1917 vindos de Coimbra, onde faleceu há um ano, no dia 13 de fevereiro, aos 97 anos, já surda e cega. A freira, cujo verdadeiro nome era Lúcia de Jesus dos Santos, tinha dez anos quando viu a aparição da Virgem na gruta conhecida como Cova de Irene, algo de que também foram testemunhas seus primos Francisco e Jacinta, de 7 e 9 anos. A menina afirmou ter falado com a Virgem em várias ocasiões. De fato, consagrou sua vida como freira da Ordem das Irmãs Carmelitas.
Lúcia pediu para ser enterrada por um ano no monastério carmelita de Coimbra, onde viveu, enclausurada, os últimos 46 anos de sua vida e escreveu as memórias do que presenciou em 1917.
Essas aparições converteram Fátima em um dos lugares mais venerados do catolicismo no mundo e milhares de peregrinos o visitam todos os anos para orar e pedir milagres. Depois de uma missa privada no convento das Carmelitas de Coimbra e de um ofício solene na catedral da cidade ontem, os restos mortais de Lúcia foram levados para a Basílica de Fátima, situada a 70 quilômetros, onde descansará ao lado de seus primos falecidos em 1919 e 1920 acometidos por doenças respiratórias.
Os fiéis, procedentes de todos os cantos de Portugal, se reuniram na esplanada da Basílica, onde se encontraram com peregrinos vindos de todas as partes do mundo. Sob a chuva, os devotos agitaram lenços brancos e jogaram flores à passagem do féretro, entoando cânticos. Depois assistiram a uma missa ao ar livre celebrada pelo bispo de Leiria, monsenhor Serafim Ferreira e Silva.
Irmã Lúcia foi a única a dizer que a Virgem lhe revelou "três segredos". Segundo as interpretações eclesiásticas previu o fim da Primeira Guerra Mundial e o começo da Segunda, assim como a ascensão e queda do comunismo. O terceiro "segredo" de Fátima, que não foi revelado até 2000, se referiria ao atentado contra o Papa João Paulo II, em 1981. Jacinta e Francisco foram beatificados, o que é considerado um passo inicial para a canonização, pelo Papa João Paulo II, em maio de 2000. Espera-se que a irmã Lúcia também seja beatificada.






