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A Missão de Investigação da ONU para o Irã afirmou que existem “motivos razoáveis” para acreditar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra em dois ataques que realizaram no início da guerra. No relatório, o regime persa também foi acusado de possíveis crimes, neste caso de lesa-humanidade, por sua violenta repressão aos protestos anteriores ao conflito.
Segundo informações da agência EFE, em um documento que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e que foi publicado nesta quinta-feira (17), a missão de três especialistas enxergou supostos crimes de guerra por parte dos Estados Unidos nos bombardeios que, em 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito, foram lançados contra uma escola em Minab e uma área residencial em Lamerd, ambas no sul do Irã.
No ataque a Minab, que causou a morte de mais de 150 pessoas, entre elas cerca de 120 menores de idade, os Estados Unidos “cometeram o crime de guerra de lançar um ataque indiscriminado resultando em morte e ferimentos a civis ou danos a bens de caráter civil”, acusou o primeiro relatório da missão, criada após o início da guerra.
As forças americanas agiram “deliberadamente” e “cientes de que existia um risco considerável de atingir um alvo de caráter civil, agindo com imprudência temerária”, acrescentou a missão.
Em termos semelhantes, o grupo de especialistas se referiu ao ataque a uma área habitada de Lamerd, que atingiu um centro esportivo, uma escola primária vizinha e edifícios residenciais, deixando ao menos 22 mortos.
Naquele bombardeio, alegou a missão, foi utilizado um míssil PrSM que dispersou cerca de 180 mil fragmentos de tungstênio sobre uma ampla área, o que, “dadas as circunstâncias imperantes, não poderia ser direcionado contra um alvo militar específico nem poderia limitar seus efeitos sobre civis, como exige o direito internacional humanitário”.
A Casa Branca ainda não se pronunciou sobre o relatório, mas em ocasiões anteriores, não admitiu responsabilidade pelos ataques mencionados.
Em março, o presidente americano, Donald Trump, disse que o Irã foi responsável pelo ataque em Minab.
“Na minha opinião, com base no que vi, isso foi feito pelo Irã. Acreditamos que foi feito pelo Irã, porque eles são muito imprecisos com suas munições, não têm precisão alguma; foi feito pelo Irã”, disse o mandatário.
No mesmo mês, o Comando Central dos EUA (Centcom) negou que forças americanas tenham atacado alvos civis em Lamerd.
“As forças dos EUA não realizaram nenhum ataque, em momento algum, contra a cidade de Lamerd ou qualquer local num raio de 48 quilômetros durante o dia de abertura da Operação Fúria Épica”, afirmou o porta-voz do Centcom, capitão Tim Hawkins, em um comunicado.
Ele também refutou as alegações de que um míssil PrSM teria sido utilizado no ataque. “Um PrSM tem 13 pés [aproximadamente 4 metros] de comprimento. A munição mostrada no vídeo parece ter o dobro desse comprimento, o que é compatível com as dimensões e a silhueta de um míssil de cruzeiro iraniano Hoveyzeh”, disse Hawkins.
Em relação ao Irã, a missão da ONU concluiu que muitas das graves violações de direitos humanos cometidas pelo regime constituem crimes de lesa-humanidade de assassinato, prisão, tortura e outros atos desumanos direcionados contra a população civil.
Nos protestos do final de 2025 e início de 2026, as forças de segurança iranianas “utilizaram força letal para matar e ferir manifestantes e transeuntes, incluindo crianças”, destacou o relatório de 18 páginas.
A violenta repressão “representou uma escalada sem precedentes em relação a campanhas repressivas anteriores”, com o uso generalizado de força letal, o que provocou assassinatos e ferimentos em massa, bem como prisões em grande escala.
A missão não forneceu um número total de vítimas da repressão durante os protestos, mas indicou que morreram ao menos 221 crianças.
Segundo a ONG Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRANA), com sede nos Estados Unidos, ao longo dos primeiros 50 dias desses protestos pelo menos 7 mil pessoas foram mortas.







