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Justiça

“Monstro” declara ser culpado por morte de bebê

Austríaco que prendeu filha no porão de casa por 24 anos pode pegar prisão perpétua; veredicto sai hoje

Bonecas amordaçadas foram colocadas do lado de fora do prédio onde Josef Fritzl está sendo julgado, em Sankt Pölten, na Áustria: crimes cometidos por engenheiro aposentado chocaram a sociedade austríaca | Dieter Nagil/AFP
Bonecas amordaçadas foram colocadas do lado de fora do prédio onde Josef Fritzl está sendo julgado, em Sankt Pölten, na Áustria: crimes cometidos por engenheiro aposentado chocaram a sociedade austríaca (Foto: Dieter Nagil/AFP)

Sankt Pölten, Áustria - O austríaco Josef Fritzl causou surpresa ontem ao se declarar, ante a corte, culpado de todas as seis acusações contra ele: assassinato, estupro, escravização, coerção, cárcere privado e incesto. Até então, o engenheiro confessara ter mantido a filha Elisabeth no porão de sua casa por 24 anos e tido sete filhos com ela, mas negara responsabilidade na morte de uma das crianças – ato que pode levá-lo à prisão perpétua. O veredicto deve sair hoje.

O porta-voz do tribunal de Sankt Pölten (69 km de Viena), Franz Cutka, afirma que a declaração de Fritzl pode servir de atenuante e reduzir a sentença imputada ao réu. Sob a lei austríaca, o júri terá de se pronunciar mesmo após a admissão de culpa, e os juízes decidirão a pena.

Fritzl, de 73 anos, disse à juíza que decidiu assumir sua culpa após assistir ao depoimento em vídeo de Elisabeth – no qual, por 11 horas, ela descreveu uma rotina de estupros. Testemunhas disseram que a própria Elisabeth esteve na corte, o que não foi confirmado pelas autoridades.

Cativeiro

Elisabeth (hoje com 42 anos) ficou presa no porão de sua casa de 1984 até o ano passado, quando o caso veio à tona. Três de seus filhos foram criados por Fritzl, que simulou seu abandono na porta da casa; os demais passaram a vida no porão. Mas uma das crianças nasceu com problemas respiratórios e morreu ainda recém-nascida, sem cuidados médicos, em 1996. O corpo foi incinerado no jardim da casa. A promotoria acusa Fritzl de assassinato por omissão de socorro. "Pensei que o bebê sobreviveria. Deveria ter percebido (a gravidade de seu estado). Só ontem vi como fui cruel com Elisabeth", disse ele ao tribunal.

Elisabeth e seus seis filhos, de idades entre 6 e 20 anos, passaram meses sob cuidados psicológicos e vivem hoje com nova identidade.

Uma avaliação psiquiátrica determinou que Fritzl é ciente de seus atos. Mas a psiquiatra Adelheid Kastner, que o examinou, disse ao tribunal que ele sofre de uma forte alteração de personalidade e poderia reincidir. Ela recomendou que, se condenado, ele passe parte da sentença em uma prisão psiquiátrica.

"O clima na casa de seus pais era marcado pelo medo", disse a psiquiatra. "Fritzl é culpado pelo que fez", ela disse, acrescentando que o próprio réu acreditava que "ele tinha nascido para estuprar". Segundo ela, o grande número de filhos que a sua filha teve dele apenas aumentou o controle de Fritzl sobre sua vítima. "Quanto mais crianças, mais poder", disse Kastner. "Isso é sobre posse, poder, controle".

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