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Análise

3 motivos que podem ter levado Trump a mudar de postura quanto à pandemia

  • 25/07/2020 10:10
trump pandemia
O presidente dos EUA, Donald Trump, defende uso de máscaras para prevenção contra a Covid-19 em coletiva de imprensa na Casa Branca, em 22 de julho| Foto: Brendan Smialowski/AFP

Nas últimas semanas ficou evidente uma mudança de postura do presidente Donald Trump quanto à pandemia de Covid-19 nos Estados Unidos. Ele passou a enfatizar a necessidade do distanciamento social e a defender o uso de máscaras, depois de ter realizado um comício e dito que a adoção do acessória era um ato “politicamente correto” em vez de uma medida de prevenção contra a Covid-19.

Trump, que até pouco tempo atrás nunca tinha sido visto em público usando máscara, postou em suas redes sociais uma foto dele próprio com a proteção, acompanhada de um texto que dizia que usar a máscara é um ato de patriotismo. Nesta semana ele retomou as coletivas de imprensa na Casa Branca, interrompidas no fim de abril, dias depois de o republicano ter sugerido que fossem conduzidos estudos com desinfetante e luz ultravioleta para tratar a Covid-19. Reconheceu que a pandemia ainda vai piorar nos Estados Unidos antes de melhorar e apelou a todos os americanos que usem máscara em locais públicos quando não for possível manter o distanciamento, “quer gostem ou não”. E, nesta quinta-feira, cancelou um comício que realizaria na Flórida em agosto para "dar o exemplo" e motivar os americanos a praticar o distanciamento social.

Um novo pico de casos

Isso ocorre em um momento em que a crise de saúde no país piorou e voltou a ser o principal assunto da política americana, depois de momentaneamente ter perdido o posto para os protestos antirracismo. Em 17 de julho, os Estados Unidos registraram o maior número de casos em um único dia: mais de 77 mil. Quando a pandemia parecia sob controle, entre maio e início de junho, esta cifra estava em menos de 20 mil.

Trump defende que o aumento de casos é justificado por uma ampla testagem e chegou a brincar que diminuiria o número de testes no país – o que não aconteceu. Um levantamento feito pelo Stat, publicação especializada em saúde, analisando a taxa de testes positivos pelo número testes realizados nos 33 estados americanos que apresentaram crescimento de casos em julho, mostrou que a alegação de Trump explica a situação em sete estado. No outros 26, porém, houve um aumento da transmissão da doença. No Arizona, por exemplo, a taxa de casos positivos a cada mil testes realizados passou de 90 em meados de maio para 208 em meados de julho. Embora nem todos os estados divulguem dados de internações, elas aumentaram nacionalmente, assim como as mortes pela doença – embora em uma proporção menor do que o contágio.

Um novo pico na curva epidemiológica dos EUA indica que o país foi afoito ao reabrir a economia sem estabelecer regras de prevenção, como as que agora Trump defende – em algumas cidades houve aumento de casos devido aos protestos, mas em uma pequena escala que, por si só, não explicaria o novo surto. Europa e Ásia viram o número de casos aumentar recentemente em algumas regiões, após a reabertura, mas não no mesmo nível observado nos EUA.

Apenas este cenário já seria o suficiente para motivar uma mudança de postura do presidente Donald Trump, mas outros dois fatores, interligados, podem ter tido um peso na decisão.

Uma questão de alinhamento

Condados que tendem a votar no Partido Republicano passaram a ser mais atingidos nesta segunda onda da epidemia, forçando governadores republicanos a adotar medidas mais restritivas de prevenção. Até então, condados com inclinação democrata eram os mais afetados – trocas de acusações entre Trump e o governador de Nova York, o democrata Andrew Cuomo, sobre a situação de calamidade no estado eram comuns nos primeiros meses da crise.

No fim de junho, governadores do Arizona, Novo México e principalmente Texas e Flórida tiveram que interromper a reabertura da economia e impor novas restrições devido ao aumento da transmissão da Covid-19. No Texas, por exemplo, o republicano Greg Abbott, passou a exigir que “todos os texanos usem uma proteção facial sobre o nariz e a boca em espaços públicos, com poucas exceções, em municípios com 20 ou mais casos positivos de Covid-19”. Ele também impôs limites de aglomerações e ordenou o fechamento de bares.

Na Flórida, domicílio eleitoral de Trump, os bares também foram fechados e as máscaras se tornaram obrigatórias para algumas profissões. O governador republicano Ron DeSantis evita tornar obrigatório o uso do acessório de proteção, mas condados e municípios estão implementando esta medida. No Arizona, a proteção não é obrigatória, mas o governador Doug Ducey pediu que a população “se arme com uma máscara” contra o coronavírus.

Por isso, a mudança de posicionamento de Trump também serve para alinhar o discurso dele com o dos governadores de seu partido e outras lideranças republicanas que também passaram a defender a uso de máscara contra o coronavírus.

Eleições

Além disso, o agravamento da pandemia elevou a preocupação dos eleitores com a crise. Em uma pesquisa do Instituto Gallup, realizada no começo de junho, apenas 11% dos entrevistados republicanos acreditavam que a situação do coronavírus estava piorando nos EUA. Um mês depois, esse percentual já havia saltado para 34%. A preocupação também aumentou entre independentes e democratas (de 30% para 61% e de 46% para 97%, respectivamente).

Talvez, ao adotar uma postura diferente sobre medidas preventivas, Trump esteja falando com esse público, especialmente os independentes, para melhorar as suas chances nas eleições de novembro, já que a sua popularidade caiu bastante nos últimos meses - em parte por causa da resposta do governo à crise de Covid-19 e aos protestos antirracismo.

Outra suposição: talvez Trump também esteja se preparando para notícias ruins na área econômica que podem derivar deste novo surto de Covid-19. As buscar por auxílio-desemprego voltaram a aumentar e analistas estão prevendo que a tendência de geração de emprego nos últimos dois meses seja interrompida em julho.

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Comentários [ 2 ]

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  • D

    DIMITRI LEONARDO SANTANA MARTINS DE OLIVEIRA

    ± 17 horas

    Negacionismo custa caro. O coronavírus, e não as medidas para combatê-lo, é que prejudicam a economia. Já vemos sinais gritantes: cancelamento do GP Brasil de Fórmula 1, cancelamento do Réveillon em várias cidades, adiamento do Carnaval. Esta é a parte mais visível. O que não se vê é o adiamento ou cancelamento do investimento e do consumo. Daqui a alguns meses, com o fim do coronavaucher e do programa de proteção aos empregos a situação vai ficar ainda pior, com essa compressão brutal da demanda. A coisa vai ficar feia. A crise contratada pelos negacionistas é enorme.

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    • J

      João Mauricio

      ± 1 dias

      O foco dele, assim como de presidente que tenta copiá-lo, é somente na reeleição. Não está preocupado com o povo (que não seja rico) do seu país.

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