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O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, recebeu ameaças "críveis" de morte vindas de narcotraficantes mexicanos, revelaram autoridades guatemaltecas nesta semana. Já o governo colombiano denunciou no domingo passado o suposto vínculo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com criminosos mexicanos. O problema do narcotráfico no México cresce em proporção, se espalha por outros países e representa o maior desafio do presidente Felipe Calderón.

A questão é tão delicada que um relatório do Comando do Estado-Maior dos EUA, publicado no mês passado, sustenta que o México pode tornar-se um Estado falido – divide esse risco com o Paquistão. As autoridades mexicanas rechaçaram o documento, mas não negam o tamanho do desafio representado pelas várias quadrilhas atuando no país.

"A droga no México é um negócio excelentemente desenvolvido, muito eficiente, competitivo. É como um ‘gerenciamento de qualidade total’", compara o professor de Sociologia Arturo Alvarado, do Colégio do México, localizado na capital do país.

"Faz 20 ou 25 anos que já se sabia sobre a internacionalização do problema", nota Alvarado. "Não é uma quadrilha isolada que entra em contato com outra isolada. Desde a Segunda Guerra Mundial (1939–45) há quadrilhas transnacionais muito claras, se não havia antes."

O especialista aponta que os grupos mexicanos acabaram ganhando mais importância e domínio sobre os "colegas" colombianos porque estes agora estão mais enfraquecidos. Já os narcotraficantes mexicanos travam uma batalha violenta, entre si e com as forças oficiais, para manter seu negócio e fazê-lo prosperar.

Em meados de fevereiro, foram colocados cartazes bastante diretos em alguns pontos de Ciudad Juárez, uma das cidades que mais sofrem com o narcotráfico no país. "Se o chefe de polícia de Ciudad Juárez não renuncia a seu cargo, mataremos um policial a cada 48 horas", avisava o texto. Dois dias depois, apareceram duas vítimas. No mesmo dia, o responsável municipal pela Segurança Pública, o major reformado Roberto Orduña Cruz, abandonou o posto. Em carta ao prefeito, argumentou que era preciso salvaguardar a vida dos comandados.

Explosão

Ocorreram aproximadamente 5,3 mil mortes relacionadas ao narcotráfico no México em 2008. O número é quase o dobro do registrado no ano anterior, de 2,7 mil vítimas. Desde janeiro o índice segue alto, com mais de mil mortes já contabilizadas.

Com aproximadamente 110 milhões de habitantes, o México se vê dividido entre diferentes cartéis, como o dos Arellano Félix, dos Beltrán Levya, do Cartel do Golfo – cujo braço armado (Os Zetas) seria o autor da ameaça ao presidente guatemalteco.

"Todas essas quadrilhas têm ligações capilares – tráfico de drogas, de pessoas, mercadorias roubadas, pirataria", diz Alvarado. "E finalmente o sistema financeiro, porque todo o dinheiro passa por um lugar que se chama banco. Não se envia US$ 200 milhões em um submarino e se recebe de volta mercadorias."

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