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Construir uma base lunar pode exigir menos estruturas artificiais do que se imaginava. Em vez de erguer todos os abrigos na superfície, a Nasa quer descobrir se a própria Lua já oferece espaços capazes de proteger astronautas das condições extremas do ambiente.
Para isso, a agência espacial selecionou três novas investigações que vão estudar cavernas subterrâneas, gelo e riscos ambientais antes da chegada de futuras tripulações.
Uma das iniciativas mais importantes é a GIMLI (Geophysical Instruments for Marius Lunar pit Investigation), que vai investigar o chamado Poço das Colinas Marius, uma abertura de aproximadamente 65 metros de diâmetro localizada em uma região vulcânica da face visível da Lua.
O objetivo é descobrir se o buraco funciona como uma espécie de claraboia para um tubo de lava subterrâneo.
A investigação faz parte do programa PRISM, que seleciona experimentos científicos para serem enviados à superfície lunar, e será realizada no âmbito da iniciativa CLPS, que utiliza empresas privadas para transportar cargas e equipamentos até a Lua. A missão ainda não tem data divulgadas pela Nasa.
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Por que a Nasa procura cavernas na Lua?
O interesse está relacionado aos desafios de manter seres humanos na superfície lunar por longos períodos. Sem uma atmosfera significativa e sem um campo magnético global como o da Terra, a Lua deixa astronautas e equipamentos expostos à radiação, aos micrometeoritos e a grandes variações de temperatura.
Uma estrutura subterrânea poderia oferecer proteção natural contra parte desses riscos. Além disso, o interior de uma caverna tende a apresentar temperaturas muito mais estáveis do que a superfície, que passa por oscilações extremas durante o dia e a noite lunares.
A possibilidade é especialmente relevante para uma futura base lunar porque construir paredes e sistemas de proteção capazes de oferecer o mesmo nível de blindagem exigiria transportar ou movimentar grandes quantidades de material. Uma camada de rocha já existente poderia funcionar como escudo natural.
Na Lua, estruturas desse tipo podem ter dimensões muito maiores que as encontradas na Terra. Estudos realizados com dados de gravidade e radar já levantaram a possibilidade de existirem grandes vazios subterrâneos na região das Colinas Marius, mas as observações feitas à distância não são suficientes para determinar com segurança o tamanho e a configuração dessas estruturas.
Como a missão vai investigar o subsolo lunar?
A GIMLI levará diferentes instrumentos para analisar o que existe sob a superfície. Entre eles estão:
- um radar de penetração no solo;
- equipamentos para realizar medições sísmicas;
- um gravímetro;
- câmeras.

Cada método permitirá observar uma característica diferente do subsolo. O radar poderá identificar mudanças nas propriedades do material abaixo do solo e procurar sinais de uma cavidade.
A investigação sísmica permitirá analisar como as ondas atravessam as camadas subterrâneas. Já o gravímetro poderá detectar pequenas variações na gravidade relacionadas à distribuição de massa abaixo do veículo.
A combinação desses dados é importante porque uma única técnica poderia produzir uma interpretação ambígua. Se diferentes medições apontarem para a mesma estrutura, os cientistas terão uma evidência mais robusta de que existe um espaço subterrâneo conectado ao poço.
Gelo, riscos e os próximos passos na Lua
A busca por cavernas é apenas uma parte do esforço da Nasa para preparar uma futura presença humana permanente na Lua. Na mesma rodada de seleção, a agência escolheu outras duas investigações.
A LEMS-SP instalará uma estação autônoma para monitorar o ambiente lunar, especialmente na região do polo sul. O equipamento deverá observar micrometeoritos, analisar substâncias voláteis presentes na tênue camada gasosa ao redor da Lua e registrar atividades sísmicas, incluindo os chamados tremores lunares.
Essas informações poderão ajudar no planejamento de estruturas e equipamentos mais resistentes.
Já a missão DISCO vai investigar depósitos de gelo localizados em pequenas regiões extremamente frias, conhecidas como microarmadilhas frias. Como esses pontos recebem pouca ou nenhuma luz solar direta, a água pode permanecer congelada durante longos períodos.
Encontrar gelo acessível é estratégico para uma base lunar porque a água poderia, no futuro, ser utilizada não apenas para consumo. Dependendo da quantidade, concentração e viabilidade de extração, ela também poderia ser processada para obtenção de oxigênio e hidrogênio, reduzindo a necessidade de transportar esses recursos da Terra.



